O Sexo e a Cidade, à portuguesa

Hoje, o telejornal da RTP1 passou uma reportagem sobre 4 mulheres portuguesas que representam as personagens d’ O Sexo e a Cidade. E quem são elas? A escritora Margarida Rebelo Pinto (MRP), a colunista do Expresso e “escritora” (já não anda há anos a dizer que vai escrever um livro?) Clara Ferreira Alves (CFA), a relações públicas Vicky Fernandes (que não sabia quem era) e mais uma senhora que, perdoem-me a distracção, mas não consegui ouvir o nome.

O objectivo da reportagem era mostrar como as mulheres portuguesas já falam sobre sexo sem tabus. Clara Ferreira Alves, divorciada e com um filho (interessante a forma como apresentam a jornalista), começa por dizer que o homem é muito “primitivo”. Ora bem, a partir daqui já me agarraram e não quero perder isto por nada.

Segue-se MRP, que diz ter um “espírito apaixonado e sonhador”. Ora, a sonhadora (pelo menos sonha que é escritora) avança com a ideia profunda de que as mulheres estão cada vez mais independentes e os homens não gostam disso.

A Vicky prefere os “homens latinos”.

A senhora, de quem não sei o nome, tem uma tirada de que gostei muito: “Os homens que se assustam comigo não podem estar comigo”. Mas, não poderia terminar, sem estragar tudo com uma declaração tonta: “Os homens são mais bonitos que as mulheres”.

O momento alto da reportagem vai, contudo, para CFA quando refere que não gosta das palavras “pénis” e “vagina”. Não acabaria mal se não acrescentasse que “pénis” e “vagina” não têm interesse nenhum. Enfim, não consegui compreender…

A reportagem não ultrapassou os 5 minutos. Não houve qualquer tipo de reflexão ou discussão. E estas senhoras, tenham lá paciência, mas não me representam enquanto mulher.

~ por Eduarda Sousa em Junho 24, 2008.

14 Respostas to “O Sexo e a Cidade, à portuguesa”

  1. Ora, a sonhadora (pelo menos sonha que é escritora) avança com a ideia profunda de que as mulheres estão cada vez mais independentes e os homens não gostam disso.

    A escritora Margarida Rebelo Pinto (MRP), a colunista do Expresso e “escritora” (já não anda há anos a dizer que vai escrever um livro?)

    Oh dona Eduarda, você fez disto um ataque pessoal à pobre senhora. :)

    “Os homens são mais bonitos que as mulheres”.

    Tem piada, eu acho exactamente o contrário. Será porque sou heterossexual ? :P

  2. Pois eu ouvi a referência à “grande reportagem” mas depois esqueci-me e não vi. Não sei se o “calibre” das convidadas e do tema assim tratado me acendeu logo umas luzinhas de “programa a evitar”. E realmente parece que foi mesmo, frases vãs, sem nexo nem substância, e onde é que está a relação com as personagens do Sexo e a Cidade? Não é que eu delire com esta série mas sempre é bem feita e as personagens inspiradas. Eu até gosto de ver os comentários da Clara F Alves num programa da sic notícias, são muito certeiros e de bom senso, não ficando nada atrás dos restantes (homens) comentadores. Enfim!…

  3. Realmente, pegaram em quatro mulheres que têm uma boa posição no mundo do trabalho e pensaram que isso seria suficiente para terem uma boa reportagem. Não duvido que estas quatro pessoas, sejam muito boas naquilo que fazem, mas associar isso a serem boas conversadoras. Não me cheira.

  4. Jorge da Silva Santos tem razão, é mesmo um ataque pessoal ;) Não podemos gostar todos uns dos outros. E, em relação à “pobre senhora” que sonha ser escritora, acredite que é mesmo um sonho :)

    Comparar a beleza entre homens e mulheres? Não faz muito sentido… Poderíamos fazê-lo entre homens e depois entre mulheres.

    Marialynce
    A reportagem também não poderia ser muito mais do que isto já que nem chegou aos 5 minutos. Não gosto muito do “Eixo do Mal”. Tenta ver a “Quadratura do Circulo” que é substancialmente melhor assim como os opinion makers.

    Também concordo com algumas coisas que a CFA diz, mas não sei se costumas ler as crónicas dela no Expresso? Esta senhora ainda há pouco tempo escreveu uma crónica extremamente racista e xenófoba (podes ler alguns parágrafos aqui: http://sinico.blogspot.com/2007/02/cfa-praga-sinfoba.html)

    Ao dizeres que a CFA não fica nada atrás dos comentadores homens parece-me que já pressupões que por ser mulher já parte em desvantagem. Mas porquê?

    Rui Peres,
    A reportagem falha exactamente porque é muito curta e elas não têm tempo para desenvolver as suas ideias. Falha também porque vão buscar 4 figuras públicas?! Não existem por aí muitas outras mulheres, inclusive com prémios ganhos nas mais diversas áreas, desde a saúde à ciência?

  5. Sim, assumir que por, serem quatro pessoas ligadas à comunicação, sabem dar uma boa opinião é prematuro. Por outro lado, como tu frisaste, com o pouco tempo disponível, não puderam dar asas à imaginação.

  6. Jorge da Silva Santos tem razão, é mesmo um ataque pessoal ;) Não podemos gostar todos uns dos outros. E, em relação à “pobre senhora” que sonha ser escritora, acredite que é mesmo um sonho :)

    Ahahahaha. Bem, ao menos, dou-te o crédito por seres honesta. :D

  7. Mas qual imaginação?…

    Não costumo ler as crónicas da CFA mas vou consultar esses tais parágrafos. O “eixo do mal” e o “quadratura” são programas com perfis muito diferentes, com uma estrutura, objectivos e formas de comunicação distintas. Simplificando, eu posso achar piada ao eixo (e esse até é um dos objectivos)mas ao outro só se for um “sorriso amarelo”pela eventual demagogia de um ou outro interveniente (o que não quer dizer que não exista no primeiro), e isso diz tudo. Para esta distinção é claro que são determinantes o alinhamento e a filosofia editorial do programa assim como o tipo de comentadores.
    Eu não pressuponho desvantagem da CFA própriamente por ser mulher, mais por ser a única do programa e porque, colocando-a a dizer disparates na tal reportagem, até parecia que a senhora não tem tanta ou mais capacidade de argumentação válida noutros contextos que os seus colegas comentadores. Também não simpatizo com tudo o que ela diz (nem conheço e há mil e uma coisas mais interessantes para fazer) mas agrada-me ter sempre uma posição e saber defendê-la com firmeza e até uma certa erudição.

    Agora, em geral, na nossa sociedade, creio que, observando as situações no mundo do trabalho e as experiências de muitas mulheres, a mulher ainda parte quase sempre em desvantagem, exactamente pelo tal preconceito, o sentimento paternalista que ainda está presente não só nos homens como mesmo nas próprias mulheres, que felizmente lá vai suavizando, mais ou menos conforme os sectores. Um dos sectores onde isso é escandalosamente visível é na política, nas situações de eleições onde existem candidaturas femininas, e a maneira distinta como são abordadas tendo como base o simples preconceito (é ver as observações às candidatas em França, EUA e até na Alemanha, países esclarecidos…).

  8. Quando digo “imaginação”, digo falar livremente sobre um tema.

  9. ó marialynce, não considero que a quadratura e o eixo sejam programas muito distintos. ambos são de debate e análise da actualidade, a diferença é que o segundo (na minha opinião) é substancialmente melhor que o primeiro.

    não me parece também que o eixo tenha como objectivo a piada e a quadratura não. é verdade que o eixo apresenta sempre algumas situações de humor e a quadratura não. é um formato mais leve mas praticamente similar à quadratura (nos objectivos, não nos opinion makers).

    não me fiz compreender muito bem no meu post. está escrito com uma certa ironia, mas não considero que a CFA diga sempre disparates. como frisei numa reportagem que nem chega aos 5 minutos e tem 4 intervenientes, não deu necessariamente para cada uma expor as suas ideias. brinquei com a situação, mas reconheço o valor da CFA. mas como toda a gente, também temos opiniões divergentes.

  10. Tenho muita pena mas eu considero que são mesmo programas diferentes, o único ponto em comum é partirem da análise da actualidade, mas exactamente por os intervenientes terem perfis completamente diferentes, então os objectivos e o tipo de mensagem e formato pretendidos são distintos. Isto é a minha leitura e concerteza não pode ser a única. O interessante é cada um manifestar a sua opinião e levar os outros a reflectir um pouco, que é o que se tem feito muito bem neste blog!

  11. Só quero dar a “boa” nova de que o novo livro da Margarida Rebelo Pinto vai ser apresentado pelo Paulo Teixeira Pinto no próximo dia 3 de Julho.
    O PTP estava com tão bom senso editorial que desta vez borrou a pintura e logo ele aprendiz de pintor!

  12. Uau! Que emoção!…

  13. Lol.

  14. É verdade, In3rno… Até estava a ganhar algum respeito intelectual pelo senhor PTP.

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