Disfunções…vi

Narciso.
Tendo a minha primeira entrevista, sido o post com maior sucesso neste blog, repito a faceta. Desta vez o entrevistado é um narcisista. Fica aqui então a nossa conversa:
Eu: Então tu és um narcisista, essencialmente porquê ?
Ele:Porque acima de tudo, só me amo verdadeiramente a mim.
Eu: Não consegues amar mais ninguém ? ( namorados, pais, amigos)
Ele: Consigo, mas verdadeiramente só a mim. Acho que o resto é um pouco mais metafórico, portanto.
Eu: Quando dizes metafórico, queres dizer o quê ?
Ele: Por exemplo, um caso prático: “Preferia matar alguém para me salvar a mim. Ou, por exemplo, não admito que alguém que supostamente ame, se meta no amor que sinto por mim.
Eu: Mas começaste a ter noção que eras narcisista quando ?
Ele: Eu sempre tive estas, digamos, teses. Um dia, a conversar com uma pessoa, dos seus trinta anos, ela disse-me que eu era narcisista. Eu desconhecia tal facto. Digamos que é um bocado inato e também é devido à educação que tive.
Eu: Tens noção, portanto, que foi graças ao narcisismo de Hittler que aconteceu o que aconteceu ?
Ele: Sim. Tenho.
Eu: E não o condenas ?
Ele: Não. Ele não estava sozinho naquela luta e à semelhança dele houve outras pessoas que cometeram erros. Actualmente ainda se verifica isso. Ele não foi dissimulado, ao contrário dos ‘errantes’ de hoje.
Eu: Mas no fundo, matar é matar, independentemente de se assumir o objectivo ( da matança ) ou não ?
Ele: Sim, matar é matar. Depende é das circunstâncias em que matas. Por exemplo: “Eu mataria para me salvar, ou para salvar alguém que achasse que merecia viver.
Eu: Mas, acho que o Hittler não mandou matar milhares de pessoas por estas porém em risco a sua vida, ou seja, ele matou-as por se achar superior a elas. Não condenas então esta atitude ?
Ele: Não foi Hitler que as matou. Achas que ele estava sozinho naquela luta?! Mesmo assim, esse objectivo sempre é mais válido que os actuais, que os objectivos das guerras actuais.
Eu: Então tu achas que é mais digno, matar pessoas em busca de uma (pseudo-)superioridade do que por exemplo: matar pessoas por achar que estas põem em risco a segurança mundial ?
Ele: Não. Diz-me a guerra onde se mata pela segurança mundial. Isso é conversa para enganar ignorantes.
Eu: Disse “segurança mundial” como mero exemplo.
Eu: Como estavamos a discutir há bocado, tu achas que o ser humano não tem limitações, consegues-me explicar porquê ?
Ele: Porque nós somos o ser mais evoluído até hoje. Somos racionais portanto. E estamos cada vez mais a evoluir. Isso mostra que não há limitações. Nós conseguimos chegar onde queremos.
Eu: Poderemos pressupor, perfeição então ?
Ele: Exactamente. Mas claro, a minha perfeição não é A tua perfeição. Eu se me achar perfeita e tu não achares que seja , eu não deixo de ser. És perfeito e completo quando te sentes perfeito e completo.
Eu: Tu há bocado, explicaste-me sobre o teu domínio sobre os sentimentos, poderias-me explicar de novo ?
Ele: Eu afirmo que consigo dominar-me e não ser dominada por sentimentalismos.
Eu: Nem ser influênciada por eles, no momento de tomar uma decisão ?
Ele: Sim. Por exemplo: uma pessoa ofende-te, ou ofende uma pessoa que gostas, tu irias ser invadido de sentimentos ‘Maus’ e agir não muito conscientemente. Eu consigo controlar isso.
Eu: Consideras então que essa influência dos sentimentos nos seres humanos, faz parte das limitações dos mesmos ?
Ele: Sim, em certa parte sim. Mas devo esclarecer que não deixo de ser humana e cometo erros. Pois, não controlo os desejos, por exemplo. E não se controla os sentimentos num estalar de dedos, demora algum tempo, mas controla-se.
Eu: Então dizes-me, que neste momento só és influenciada pelos teus desejos ?
Ele: Não. Sou influenciada por tudo o que é meu e faz parte de mim. No fundo sou influenciada por mim mesma. Há pessoas que têm consciência disso e Controlam-se melhor , sendo esse, acho, o meu caso. Há outras que não utilizam a racionalidade que têm. Digamos, que há gente que pensa com a cabeça, outros com o coração, metaforicamente falando.
Eu: Para terminar, como te vês daqui a 10 anos ?
Ele: Vejo-me ainda a estudar. A viver numa cidade que não é minha. Vejo-me eu mesma, com as mesma filosofias, mas talvez modificadas não na sua essência. Vejo-me muito mais conhecedora do meu principal interesse: Religião, apesar de ser ateia. Também com muitos mais conhecimentos do foro psíquico humano. Vejo-me com algumas pessoas que tenho hoje. Vejo-me muito mais culta e matura, talvez já não seja narcisista. Mas acho que isso nunca vai mudar em mim, pelo menos eu não quero.
Apesar, de não concordar em muito do que foi dito, respeito. Tentei manter-me imparcial no que era dito, ao longo da entrevista, senão consegui, não foi deliberadamente.


Pegando nisto que foi dito:
E em seguida pegando nisto:
Tu afirmas, que consegues dominar os teus sentimentos. Mas na segunda afirmação, para salvares “alguém que achasse que merecia viver”, pressupõe existência de sentimentos em relação a esse alguém. Ou seja, será que controlas assim tão bem os teus sentimentos ?
Eu salvaria essa tal pessoa não pelo sentimento mas sim por um certo egoísmo. Digamos que as pessoas, as tuas relações são um meio de satisfação pessoal. Portanto, eu disse ‘que merece viver’ , exactamente porque não quero perder a satisfação.
Sim, controlo. Como expliquei não controlo num abrir e fechar de olhos, controlo com esforço.
Por exemplo os teus pais morrem, e o Rui usou este exemplo comigo, tu sentirias-te mal e tinhas aqueles sentimentos naturais de perda, a não ser que penses como eu em relação a morte, mas ao fim de algum tempo consoante a situação tu controlavas isso, isso já não tomava conta da tua vida.
Espero que me tenhas percebido, e obrigada, é sempre bom discutir as nossas ‘teses’.
Se eu matasse alguém, seria por amor (isto se o fizesse, porque duvido que alguma vez o cometesse esse acto hediondo). O amor é o que nos une à pessoa. Do mesmo modo, que nós nos sentimos bem com aquela pessoa, essa pessoa também se sente bem conosco. Egoísmo, é quando nós colocamos a nossa opinião, interesses, etc à frente de alguém. Eu não quero isso da pessoa amada, eu quero que esses factores ( interesses e opiniões) estejam ao mesmo nível dessa pessoa, pois além de amor existe também o respeito pela pessoa. Do mesmo modo que eu tenho o direito a esses factores, a outra pessoa também o tem. Mas sendo tu narcisista, talvez te seja difícil compreender o que estou a dizer (não estou a dizer isto em tom de gozo, ou com intuito de te inferiorizar/ridicularizar neste blog).
Nem eu estaria a pensar isso de ridicularizar.~
Eu amo outras pessoas, nao claro que o amor que sinto por mim se sobrepoe como ja deves ter lido anteriormente.
Nao vou contestar o teu ponto de vista sobre o amor, afinal sendo eu ou nao narcisista, enquanto ao amor ninguem pode discutir/contestar a opiniao dos outros.
Mas devo dizer-te que nao condordo que ‘esses factores ( interesses e opiniões) estejam ao mesmo nível dessa pessoa’.
Apesar de me intitularem narcisista e eu tambem me considerar, devo te dizer que sou humana e como tal tenho sentimentos por outras pessoas. É amor tambem mas nao se compara ao meu amor proprio.
Amas a pessoa, podem nao tar de acordo em nada, mas deves respeitar, e isso nao quer dizer que estejam ao mesmo nivel. Ou estarei errada?
Mais uma vez obrigada.
Esses factores, querem dizer que apesar da pessoa amada ter uma opinião diferente, ou uma atitude censurável, eu respeito-a e amo-a. Agora, diz-me, porque é que amas outras pessoas ? Porque é que amas, se podes perfeitamente controlar os teus sentimentos ? Qual é a necessidade de amar, afinal para ti?
Claro que estou ao mesmo nível que ela, porque ao contrário dos narcisistas, eu não sou superior ou inferior a alguém.
Confesso que não consegui ler a entrevista até ao fim porque não tem qualquer sentido ou congruência…
E dou só um exemplo: “E estamos cada vez mais a evoluir. Isso mostra que não há limitações”
Ora, se não houvesse limitações, se o ser humano já fosse perfeito, então não precisaria de evoluir…
ps – que idade tem a entrevistada?
Tem quinze anos.
Quando digo que controlo os sentimentos nao me refiro a sua existencia, mas sim a capacidade que temos ou nao de assumir o seu papel, as suas consequencias, etc.
Sim, tenho 15 anos, poderam dizer que sou nova, etc, mas como nao acho que a idade seja relevante nas minhas convicçoes..
E nao estou a querer dizer que daqui a 20 anos vou ser exactamente igual, como digo evoluimos..
Quanto a perfeiçao, se ainda nao o disse, acho que seja relativa, mas acredito piemente nela, e nao acho que seja global , mas sim pessoal. Se é que me faço entender.
Obrigada.
Quanto ao facto da superioridade, sim realmente acho que sou superior.
Quanto a minha coerencia, deixo uma frase que uma vez afirmei:
‘Ja pensas-te que se virei a luz escura que vejo, passo a ver claro?’
Aos teus olhos, e claro, de muita gente, eu nao passo de uma miuda que nao é humilde e que nao sabe o que diz, mas eu ganho num aspecto: tenho opiniao propria e acredito nela, nao mudando por isto ou por aquilo.
[Nao tou a querer ser agressiva ou a querer insinuar algo.]
Obrigada Eduarda.
‘Ja pensas-te que se virem a luz escura que vejo, passo a ver claro?’
[Correcçao]
Pecas numa coisa, não aceitas as opiniões dos outros. Porque, se eu te disser que tu estás errada, e tu dizes “Ah, é a minha opinião”, eu digo: ” Que adianta ter opinião, se não se sabe fundamentar o que se pensa ? ”
Como te digo, se achas que és superior por teres uma opinião própria das coisas, estamos mal. Qualquer pessoa, tem a sua própria opinião. Se a sabe fundamentar, ou não, isso é que faz a diferença. Mas não em termos de superioridade, mas sim no bom uso da razão.
Já agora, a isso chama-se temperança. A temperança está associada tanto aos sentimentos, como também aos desejos. Além disso, ninguém, e repito, ninguém, controla os seus sentimentos perfeitamente. Podes, é tentar manter a calma, em determinados aspectos. Se achas, que consegues não exteriorizar o que sentes, isso talvez. Agora, cá dentro, eles vão-te remoer, até passar.
Pecas numa coisa, não aceitas as opiniões dos outros. Porque, se eu te disser que tu estás errada, e tu dizes “Ah, é a minha opinião”, eu digo: ” Que adianta ter opinião, se não se sabe fundamentar o que se pensa ? ”
Eu alguma vez disse que era a minha opiniao?!
Enfim…
Eu fundamentei, senao compreendes-te as minhas palavras lamento, visto que a tua pessoa não a primeira vez que tento explicar isto.
Talvez lhe chames temperança, mas sinceramente, não ha por ai muita gente a usufruir dela.
Sim, é o que tu defendes, é naquilo em que tu acreditas. É de facto a tua opinião, ou o teu ponto de vista, como lhe quiseres chamar. Mas, há determinados aspectos que não tem muita coerência, como apontou a Eduarda. E não, não sou só eu a chamar-lhe temperança. Toda a gente usufrui da temperança, uns menos outros mais. Achares-te superior, por “pensares” que tens temperança naquilo que fazes, apenas te faz arrogante. E a arrogância, apenas te cega para o mundo. Deixas de conseguir aceitar o que as outras pessoas dizem. Mas enfim, uma pessoa que não condena o holocausto nazi, não estou à espera que aceite o ponto de vista dos outros. Por melhor uso do bom senso, que estes possuam.
Eu nao condeno nem deixo de condenar, mas acho que hoje em dia ha ‘guerras’ tao ou mais mortiferas, por razoes tao, mais ou menos absurdas.
Condenas ou não ?
Segunda Guerra mundial, estima-se que houve 50 a 60 milhões de mortos. Diz-me em que guerra, de hoje em dia, há estas baixas.
Que interessa as razões ? Quando se matam pessoas, o absurdo está sempre presente, nos dois lados da barricada.
Sim interessam as razoes. Bastante , até.
E Nao , nao o Condeno. Pouco interessa o numero de mortos.. Senao interessa a causa nao interessa o numero, digo eu. Nao interessa se morrem 1 ou 10 , morrem pessoas. Ponto.
Sim, não interessa o número de pessoas mortas, mais que nenhuma já é uma loucura.
Mas, fico fascinado com a tua facilidade em aceitares mortes. De certo, se as razões de outro louco forem fundamentadas, tu nem te importarás que ele extermine meio mundo. Aliás, considerando-te um ser superior, qual é a tua necessidade de interagir com outras pessoas ? Por suposto, assim que sejas perfeita, poderás morrer, ou estarei errado ?
Exactamente. [Sabias um pouco de mim e nem te deste conta.. Ou entao é obvio.]
[Ou entao andas-te a falar com o teu amigo/colega Rui] Hmmm.
É óbvio. Se nós vivemos, é para evoluir como pessoas. Chegando à perfeição, o que nos resta neste mundo ?
Tas a ver ?! Afinal concordamos em algo !
Tu queres chegar a perfeiçao ? Achas q tens um auge no teu ser, tipo a tua pureza ? Estabeleces-te um limite, do tipo no dia X eu vou ser perfeito finalmente, e toda a minha vida vai ser lutar por esse dia completando objectivos, anos ? A todas as respostas eu respondia sim.
O senhor Rui sabe desta tese.
Sim.
Não percebi.
Lol, isso é patético. Nunca serei perfeito, ambiciono-o mas sei que nunca o serei. Antes de tentares melhorar como pessoa, atenta bem as tuas limitações. Não queiras fazer do vidro e da areia, ouro e diamantes.
Qual foi a parte de que eu acredito que chego la e que acho q nenhum ser humano, nem mesmo tu, ou o primeiro-ministro, tem limitaçoes, que tu nao percebes-te ?!
A uma parte da entrevista q fala disso mesmo. Nao digas q é patetico, pq vindo duma pessoa cheia de filosofias nao é muito ‘educado’, acho eu, nao sei.
Quanto a questao do auge:
Acreditas que agora es apenas feliz metaforicamente, que es tu e sentes-te bem, mas és apenas um meio para chegar ao fim, que é a tua pureza, auge, estado perfeito, percebes ?! Acreditas?! Eu sim ! Mas isso ja tem haver com o meu objectivo de vida principal.
[Sem duvida, voces dao-me gozo, se é que me faço entender.. Apesar de estarmos em desacordo, gosto imenso.]
Por termos limitações, é que temos necessidade de evoluir. Se não tivéssemos limitações, por exemplo: não havia necessidade de evoluir tecnologicamente.
Não percebi, mais uma vez. Explica-me, como se tivesse 10 anos.
Por exemplo tu agora nao és nem uma infima parte de perfeiçao por isso estabeleces uma data e ate la sera perfeito, passando tu a ser como um meio para o fim , a perfeiçao, tu nao, as tuas acçoes, tu o que fazes vai em busca daquele objectivo. Durante a tua vida vais cumprindo metas/objectivos menores que te levam a felicidade pura/perfeiçao, que depois tem como esplendor a morte. Para mim a felicidade pura passa pela morte.
Mas tambem por nao sermos limitados é que fazemos o que fazemos.
Duvido que se tivesse 10 anos percebesse o que disseste. Mas, continuando. Diz-me então o que é ser perfeito para ti.
Discordo totalmente, se temos necessidade de o fazer é por sermos limitados e termos necessidade de algo que nos auxilie .
Mas se fossemos limitados nao chegavamos la . [Oh pah, nao vou bater no ceguinho.]
A minha perfeiçao passa por um heteronimo digamos, mas nao vou tar aqui num blog a expor isso.
Óbvio que não somos tão limitados. É normal, que aos longos dos séculos tenhamos conseguido atingir grandes evoluções, em milhentas áreas.
A tua perfeição passa por um heteronimo ?
A minha perfeiçao nao passa pelo heteronimo. Depois explico-te.