Disfunções…xi

Sendo eu um perfeito ignorante na matéria. Apesar de o ser e ter bem noção de que o sou, faço parte deste país e como tal falo. Falo e de quê ? Da vergonha que se está a passar neste momento. E que vergonha é essa? Realmente, é difícil ver qual delas é. Mas, hoje, só vou falar de uma. O estado da educação no nosso país. Após todo o rebuliço que tem havido, decidi eu expressar a minha opinião. O nosso governo é engraçado. É engraçado virem falar de estatísticas, é engraçado é. Dizer que a média das notas no exame de matemática subiu. Porra, senão subisse é que era o cúmulo. Vêm agora dizer, que essa subida é promocional ao conhecimento dos alunos. Deixem-se de tretas. Até um cego vê o que se está a passar. Só não vê quem é hipócrita. Vocês baixam a fasquia dos exames, para o mais vergonhoso que há. Depois, vêm dizer que a média subiu graças às políticas educacionais do Ministério da Educação. O mais engraçado nisto, é a convicção como garantem que essas políticas foram essenciais para esse melhoramento. Em seguida, vêm dizer que o órgão que criou os exames é independente do Ministério da Educação. Enfim, enfim. Os professores no meio disto tudo, não passam do marionetas. Os que são bons, não podem fazer nada realmente. Dão as aulas o melhor que podem, e desde já fica o meu agradecimento. Os que não sabem dar, são uns pobres diabos. Que além de não querer saber dos alunos, não sabem do que falam. Depois, ainda há os que sabem, mas não sabem leccionar. Meus amigos, há pessoas que sabem ensinar, outros não. No final das contas, quem sofre é o aluno. Por duas razões. Primeiro, porque pensa que percebe da matéria. Mas em comparação ao resto da Europa, somos uns perfeitos ignorantes. Comparai um aluno da Finlândia com um aluno português. Lá está, nem há comparação, tanto a nível de conhecimentos, como em nível de educação. Claro, claro que há excepções como em tudo, mas regra geral é assim. Em termos de educacionais, estaria a entrar por outros caminhos que não são chamados para aqui. Em segundo lugar, chegam às universidades e é o que é. Toda a gente chumba e dizem que não têm bases. Depois os pais admiram-se com isso, uma vez que o seu filho tirou um quinze no exame de matemática, mas é incapaz de passar a uma disciplina de matemática na universidade, fundamentando falta de bases. No final, um aluno demora mais tempo a sair para o mercado de trabalho. Quando finalmente sai, não sabe o que está a fazer no emprego. Mas, mais uma vez, não quero falar disso, porque estaria a entrar noutros caminhos. Por isso, não venham para a televisão falar em estatísticas. Sejai honestos para com o país. Admitai os vossos erros. Fica melhor isso, que mentir à descarada. Não se esqueçam disto, vocês também vão sair prejudicados com isto tudo.

~ por Jorge da Silva Santos em Julho 5, 2008.

3 Respostas to “Disfunções…xi”

  1. Verdadíssima…esta é uma estratégia para dizer “que as políticas têm resultado pois as notas estão à vista”…mas também só acredita nisto quem nada percebe do assunto. Quem está no terreno, como eu, sabe bem que todas estas medidas em nada têm ajudado o ensino…e porquê?? Porque os professores que já trabalhavam muito, trabalham ainda mais; os que trabalhavam pouco, continuam a fazê-lo; os alunos sabem cada vez menos, porque cada vez mais o sistema favorece as ditas “medidas de sucesso” e a frustração aumenta. Eu que adoro dar aulas, que sempre quis ser professora por pura vocação, sinto-me frustrada…muito…e no entanto adoro o que faço…como me sentiria de fosse “professora à força” como muitos infelizmente são? Não sei. Sei que nada está bem como está e que eu gostava de ter tempo e cabeça para dedicar à preparação das aulas, dos alunos e menos às estatíticas, às papeladas, às reuniões e às fantuchadas…mas adiante, senão este comment transforma-se num muro das lamentações…
    :-(

  2. Francamente já estou farta da ladainha das queixas sobre as medidas do ministério da educação…Já não há ponta por onde se pegue! É desastre atrás de desastre, é o constatar de uma batalha perdida. Daqui para a frente é tentar não perder também a guerra!…Embore pense que cada vez nós, professores, temos mais baixas, por isso advinham-se tempos difíceis para todos, um futuro pouco risonho para os alunos, e, afinal, para o país. Será o “Triunfo dos (Porcos) Ignorantes”?…

  3. Irá ser com certeza ser um rico triunfo, esse. :)

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