Sobre: O (des)respeito pelo corpo.

Esquema do corpo humano, Leonardo Da Vinci.
Desde pequeno, que considero o corpo algo importante. Para os cépticos, porque é como vivem. Para os que acreditam em Descartes, como eu, se não tivesse corpo, como poderia evoluir as virtudes da minha alma, sem o contacto com o mundo ? A relação que existe entre as pessoas, hoje, grande parte delas, é apenas com o físico em mente. As virtudes pelos prazeres, é considerado uma heresia por alguns. Por isso mesmo, na actualidade, nem sequer conhecer o nome da pessoa com quem vamos ter sexo, quanto mais as virtudes desta, é algo normalíssimo.
Será que abdicámos do respeito que temos pelo nosso corpo, com esta atitude? Por um lado, como muitos afirmam: “o corpo é meu, faço o que quero com ele”. De modo algum lhes tiro a razão. Mas do outro lado, abdicámos de algo, que deveria ser só nosso e de quem gosta de nós e nós dele. É um sentimento estranho, este. Parece que no final, não passamos de animais. Só os animais entregam o seu corpo a qualquer um. Muitos acreditam que estamos a evoluir, na tentativa de olhar para o interior das pessoas, em vez do corpo. Mas conhecerão essas pessoas a nossa realidade ? Ou só olham para a sua utopia, que no fundo não passa de uma ilusão, esses inócuos sonhadores. A realidade é bem diferente. Estamos a evoluir num sentido, em que o corpo não passa de objecto. Um objecto que está num mercado. E nesse mercado, fazemos trocas do nosso objecto, por outros objectos. Certos sítios de culto, apenas provam o que eu estou a dizer. Como uma pessoa me disse, não passa de um negócio de carnes. É mesmo isso que se passa, actualmente. Se há vinte anos atrás, ou até menos tempo, nem sequer se falava com desconhecidos, quanto mais ter sexo. A virgindade era perdida já com uma certa idade. Como será daqui a vinte anos ? Múltiplos parceiros? Ligar e passado dez minutos ter sexo, de borla? Perder a virgindade aos catorze anos, ou menos? Mete-me medo esta realidade, muito medo. Tendo eu os meus vinte anos, penso que daqui a dez anos terei filhos. Vou ter um filho, para ele viver num mundo, em que o corpo é mais aceite que o cartão Visa? Só de pensar, arrepio-me todo. Enfim, este nosso pequeno mundo, está a dar uma volta do caraças. Ao pensar nisto, só me lembro de numa coisa, para causar tamanha agitação. A ambicionada liberdade. O que faltava há dez/vinte anos era isso mesmo. Se hoje já temos alguma e acontece isto, como será daqui a uns anos ? Haverá necessidade de condicionarmos a nossa liberdade, se não conseguimos controlar os nossos impulsos ?


Bem, este post tinha mesmo de comentar, até porque estou com tempo para isso. É um assunto que me faz pensar, este, e acho que talvez seja um dos maiores males que assola – e assolará cada vez mais – a nossa sociedade, o tal desrespeito pelo corpo, não só por outrem, mas também pelo próprio indivíduo.
Mas penso que não tens reparado bem à tua volta, quando perguntas coisas como “Ligar e passado dez minutos ter sexo, de borla? Perder a virgindade aos catorze anos, ou menos?”. Ora bem, hoje estas duas coisas acontecem de forma frequente e passam, com uma rapidez anormal, de excepções, à regra. Tive colegas que se orgulhavam de perder a virgindade aos 11 e que me olhavam como um alien por comigo ter sido diferente (ou ainda não ter acontecido…). Sim, porque parece existir um concurso sobre quem “a” perde mais rápido, e mais precocemente. Agora digam-me é o que sabe uma criança de 11 anos sobre sexo…
Em relação ao outro tópico, o do sexo sem compromisso… agora passou de uma conversa (sempre tinha mais classe, ao menos as pessoas ainda se forçavam a interessar-se um pouco pelo outro) num bar, por exemplo, para uma chat-room. Basta entrar-se, falar com alguém (essa conversa não tem necessariamente de se prolongar além de um “onde moras? de onde teclas? tens sítio?” e, uma hora depois, é provável que já se esteja na casa do outro a alimentar os prazeres da carne… Muitas vezes nem sabem sequer o nome da outra pessoa.
Quanto ao tal “talho” em que o hi5 se tornou… engraçado que também uso essa expressão. Afinal, não sou o único a ter olhos para reparar nisso… já tive, sim, um perfil, e por algum tempo… parecia aliciante, divertido. Era uma novidade. Mas depois, comecei a aperceber-me do que se passa por lá… conhecer alguém é uma raridade, alguém interessante então é quase impossível, dado que as pessoas, na maioria, se limitam a ir ao perfil do outro e, se comentam, é “foto nice :p, comenta o meu tb, bjs”… muitos nem têm o “sobre mim” (que acaba por ser o mais interessante, a meu ver…) preenchido, e têm centenas de pessoas na lista de “amigos”, o que por si só diz muito sobre esse site. Enfim, e foi isto! Bom post (costumam ser todos, mas, por favor, tentem falar menos dos “emos”… já basta levar com eles no dia-a-dia, sentados no chão do shopping ou a atirar gelo uns aos outros em pleno restaurante…).
Ahahahah, dessas coisas não sabia eu.
Quando eu disse 14 anos, foi porque não tinha a certeza se era normal perder com menos. Com o que tu me disseste fiquei chocado. Onze anos ? Meu Deus, onde é que isto vai parar. Sim, dantes um indivíduo ainda tinha que se esforçar no engate, havia, normalmente, um jogo de sedução, agora nem isso. Enfim, o mundo está a dar uma volta. Parece que em vez de evoluirmos como a tecnologia, como humanos, parece que estamos a ficar cada vez mais animais.
Sobre este assunto nem vou comentar muito, senão lá teria que dizer “no meu tempo…” e era aborrecido… pois era bem diferente, era tudo mais saudável, se assim se pode dizer. No entanto também não se pode generalizar.
Provávelmente, e como tudo acaba por se desenvolver por ciclos, vamos voltar atrás mas talvez num outro sentido, ou seja, encarar o corpo numa dimensão virtual. Aí não haveria própriamente o problema do contacto precoce (não haveria o contacto mesmo…), mas será que haveria mais respeito pelo corpo? Ou antes o corpo se anularia, seria uma mera representação, uma ficção projectada como se de um jogo se tratasse (ocorre-me agora o “second life”…)? E sendo assim, o ser humano que é corpo e mente num só, perderia a sua essência?
Talvez, talvez. Mais respeito pelo corpo, é que enfim….
Concordo plenamente com a tua opiniao. Na realidade os jovens entregam com facilidade o corpo a qualquer um(a) sem qualquer sentimento que os una a não ser o do desejo momentâneo. Não tentam sequer refrear esse desejo e por o sentimento e o pudor acima de tudo. Não sei se de facto se deve a uma liberdade excesiva ou a um querer viver a vida a correr, com receio de nao poder viver o amanhã e deixar para trás vivências ou momentos que nao aproveitaram.
Acredito, que seja por liberdade a mais.
“liberdade a mais” – não é uma expressão simpatica, nem, espero eu, verdadeira.
Existem diversas formas de encarar a sexualidade, uma delas – a que se diz mais moral – será a de a praticar apenas com alguem que amámos (romanticamente) ou por quem estámos apaixonados – sim, há duferença. Esta perspectiva é a que mais me atrai, sem dúvida; porquê? Não estou certa de mais de que se existe magia é a das relaçoes humanas.
Agora, é desrespeito pelo corpo, ou “liberdade a mais”, as “relaçoões” faceis e momentaneas? Desde que as pessoas envolvidas tenham total conhecimento da questão (ou seja, desde que haja respeito pelo outro e pelos seus sentimentos), porque não aproveitar, divertir-se? Nem todos têm a sorte de amarem e serem amados, se as pessoas não se sentem mal por viverem dessa forma, quem sou eu para as condenar (nao estou a dizer que vocês o façam)?
Quanto à questão do sexo na adolescência, isso é coisinha que sempre me confundiu, porque está presente em mim a ideia que até aos 15 -17 a nossa sexualidade – e a capacidade de tirar prazer através da pratica sexual – não está completa. Porque é que, então, vemos tantos casos de sexualidade precoce? porque, como o Rúben referiu, quem é virgem, principalmente no inicio da adolescencia, no inicio digo porque a maturidade é tanta que a maior parte deixa o grupo pensar por si, é gozado e olhado de lado.
E, sim, somos animais. Não podemos negar isso, podemos refrear, mas porquê? se a nossa auto-imagem e auto-conceito, ou a da pessoa com quem obtemos esse prazer momentaneo, não é prejudicada?
Eu cá prefiro a magia de uma verdadeira relação aos prazeres sexuais momentaneos. Se um dia decidir usar um enquanto espero pelo outro não serei pior ou melhor que sou agora.
boas,
I.Dias