Sobre: Entrada para o mercado de trabalho.
O facto de eu andar hoje na universidade, tem um objectivo claro. Apesar de gostar de estudar, o principal objectivo é ter um curso no bolso, para poder iniciar a minha vida no mundo do trabalho. Pressupondo que a universidade, existe para nos preparar para um futuro emprego, no ramo que estamos a estudar, será que ela nos realmente prepara, para o que aí vem ? Falando eu, do meu curso, engenharia informática, eu no outro dia, perguntei à minha professora de programação :
Professora, eu quando é que irei utilizar C numa empresa ?
Resposta :
Nunca. É só para teres uma noção de linguagens imperativas.
Achei a resposta, deveras interessante. Eu, que supostamente, estou a formar-me para um futuro emprego, estou a aprender algo ultrapassado e provavelmente, nunca irei usar. Fiquei um bocado frustrado em relação à sua resposta, até porque gosto da linguagem C. Mas, qual é o objectivo de me ensinarem algo, que não irei necessitar ? Quer se dizer, até um dia, quem sabe, mais tarde, seria interessante aprender C, mas acho que primeiro, me devo concentrar no que é útil, para o meu futuro. Realmente, nós aprendemos o nosso ofício na empresa e não na universidade. Se for a analisar bem, pouco do que aprendo, irei usar no meu futuro emprego. É esta falta de interacção universidade/empresas que existe neste momento. E toda a gente sabe quem tem de dar o braço a torcer. A universidade, tem que estar atenta ao mercado de trabalho. Tem que ver que competências as empresas esperam, de um futuro empregado. É sempre bom, ter cultura geral. Mas porra, eu ganho a vida a saber fazer alguma coisa, não é com cultura geral, que ponho comida em cima da mesa. No final, até penso, para que é que tiro um curso de três anos, quando apenas um e meio chegava, para o que irei precisar no futuro ?


Voltarei com tempo para “te dar mais um sermão”…
Ahahaha, que não seja sobre a relação utilidade/cultura geral.
Metade do que se aprende na escola não serve para nada e um terço da restante matéria serve para nos fazer sofrer, a estudar!
1 terço aplica-se se usares a imaginação… e o outro vai-se aplicando…
mas concordo contigo!
para que raio anda uma pessoa a perder tempo e dinheiro a investir no seu futuro, quando depois quase nada do que aprendeu é assim na prática???
Daí que eu, pelo menos na profissional, ouvisse os profs dizerem muita vez “isto é na teoria… na prática… é mais assim ou assado” porque apesar de haver regras bem definidas para a leccionação de aulas, deviam de as ajustar mas era à realidade e às necessidades das empresas…
enfim!
Ora meu caro Rui, estás a ir ao cerne da questão. Mas não desvalorizes já o C. Na prática é pouco provável que venhas a usar ANSI C ou C++. Como deves saber, é a origem de muitas das linguagens usadas hoje. Se souberes C++, com facilidade entras no Java, por exemplo. Porque não aprender logo Java, parece que te estou a ouvir perguntar. Bom, porque não é garantido que te seja pedido que saibas Java e trabalhes com isso.
Atenção, eu percebo a tua frustração, já passei por isso. Posso dar-te como exemplo quando estive a aprender microcontroladores. Ia dando em doido por ter de aprender aquilo em assembly, quando em termos de trabalho, pelo menos usa-se C já que é muito mais rápido o desenvolvimento. Tenta tu fazer um programa em assembly para veres o que é bom para a tosse.
Ainda assim, digo-te que não é mau de todo. E uma das melhores razões para tal, é aprender a fuçar, ter a disciplina de trabalhar no que nos é exigido. As oportunidades de negócio estão tanto no que é muito recente, como no que é muito antigo. Há tecnologias que os profissionais abandonam porque diminiu a percentagem de utilizadores no mercado, mas das quais o mercado não se livra da necessidade. Caso do Cobol.
Podes até ter muita razão, mas não vais conseguir mudar as coisas durante o teu curso. Mais vale cumprires com os objectivos, e se quiseres aprender alguma coisa que te pareça mais util, fá-lo em casa. Pesquisa o que é mais rentável no mercado e dedica-te a isso. Mas posso dar-te uma dica. Começa a pensar em informática industrial e dedica-te a isso. É onde podes ir buscar algum dinheiro e um minimo de estabilidade. O resto é o que todos os outros já fazem, e vais ser apenas mais um.
O canudo é cada vez mais uma formalidade, e cada vez menos os licenciados sabem como cumprir as funções. Conta muito o autodidatismo, a iniciativa e capacidade para resolver problemas na hora. O diploma mete-te na empresa, a sabedoria é o que te aguenta lá. Por esta hora já deves ter visto que não vais adquirir muita sabedoria na escola, portanto….
Já fiz.
Vou aprender Java este ano, acho que me vai ajudar no futuro. Há uma série de disciplinas que irão ajudar, mas mais vale aprender as matéria em casa, sozinho.
Ora vamos lá ao sermão (vai tarde mas vai…):
- Concordo que o ensino universitário deveria ter uma componente mais prática, com maior participação e colaboração do mundo empresarial. Hoje em dia é fundamental.
- No entanto não esquecer que é o ensino da via profissional ou tecnológico, assim como o politécnico, que tem mais (ou deveria ter) responsabilidade nesse domínio.
- O ensino universitário tem um carácter mais abrangente, e está na sua essência dar uma formação mais geral e aprofundada dos vários aspectos de uma determinada área, depois passível de uma especialização. Só assim se podem formar pessoas que tanto podem ser investigadores, professores ou técnicos nesse domínio.
- É evidente que o estudante universitário terá que desenvolver uma formação prática própria, a experiência é muito importante. Sempre o foi.
- Quem não está interessado em “perder tempo” com várias matérias talvez devesse escolher outro tipo de formação, o que é legítimo.
- E, sinceramente, isto de “perder tempo”, “coisas que não servem para nada”, etc, fazem-me lembrar a conversa dos alunos do secundário, e menos, que querem fazer o mínimo dos mínimos, sem terem que se esforçar, e no menor tempo possível, pois também não aguentam estar muito tempo concentrados. Será que todos já estão a padecer do mesmo?
- Peço desculpas se feri susceptibilidades, mas resumindo isto é o que eu penso!
Eu quando falo, de “perder tempo” e “coisas que não servem para nada”, é por gostar de estudar que o digo. Pois tenho noção, apesar de ser útil, para a minha formação e contribuição na vida profissional, aquela matéria não me irá servir de muito.
Estás à vontade para dar sermões.
Tudo tem a sua utilidade! Parece-me que o problema não é acabar com as “coisas que não servem para nada” mas antes a falta de uma componente mais prática ou directamente relacionada com a realidade do mercado de trabalho numa determinada área.
Até ao próximo!…
Marialynce, seria de mau tom, da minha parte, insistir sobre o que tem utilidade para o meu futuro e o que não tem, por isso mesmo, vou me abster sobre isso. O que eu tenho a dizer é o seguinte: se eu estou num curso, para aprender algo para um futuro emprego, é isso mesmo que eu quero aprender, algo que me auxilie no meu futuro emprego.
E olhando para o panorama actual, com todas as mudanças no mercado de trabalho que se perspectivam, qual será mesmo o teu, ou melhor, os teus futuros empregos?…
Compreendo a tua posição, admito alguma razão, mas o ponto de vista da “utilidade”, descriminando se C é mais útil do que Z ou Y (!) tendo em conta um ensino universitário, é discutível.
Sendo assim, como vemos o assunto segundo perspectivas diferentes, não vou continuar a “bater mais no ceguinho”, salvo seja… Como disseste, e muito bem, é melhor não insistir mais…
The End
Ahaha, eu sou sempre a vítima, sou sempre o “ceguinho”.