Is there a reason to talk with you? Indeed there is…
É algo curiso que eu tenho vindo a notar, mais frequentemente. Algo que nos escapa e que já nos aconteceu, ou acontece. Já estava para escrever este post há muito tempo, mas como tenho pouco tempo para fazer outra coisa, e muito tempo para fazer nada, decidi escrever isto. Algo que eu tenho vindo a notar, quando me instalo numa esplanada, de um café, é as conversas que outras pessoas ( leia-se: casais) têm. E qual é essa conversa? Política? Futebol? Novelas? Família? Poderia ser tudo isto e muito mais, mas a realidade é esta: não dizem nada. Ficam séculos e séculos a olhar de um lado para o outro, sem nada dizer. Ele põe-se a ver o jornal, com ar de quem está muito interessado naquilo, quando, na realidade, está a apanhar uma bruta seca. Ela põe-se a ver a roupa das outras mulheres que passam, volta e meia, quando o desespero aperta e o orgulho diminui, olha para ele, com ar de gatinho bebê. Se acham que eu estou a dizer isto da boca para fora, experimentem fazer isto, já hoje se for preciso. Irão ver, em pouco tempo, que, apesar de eu não fornecer dados científicamente provados, as minhas palavras não andam (nada) longe da verdade. Não percebo como é que uma relação pode chegar a este ponto. Não sou uma pessoa que fale muito (acho eu…), mas, mesmo no meio daquele “silêncio de cortar à faca”, consegue-se sempre arranjar qualquer coisa. Nunca precisei de arranjar/inventar uma conversa de encher chouriço, quando bem acompanhado, daí não conseguir perceber o que raio se passa ali.
Hey, sim tu, essa é a pessoa com quem fazes sexo e com quem vives. Sim, essa mesma, a quem tu dizes “amo-te”, “és tudo para mim”. Essa mesma a quem tu fazes juras de amor. E agora não me consegues arranjar uma conversa? Família? Problemas que te andam a assombrar? Nada? Mesmo nada? Nem a típica conversa de falar mal do patrão, e dos colegas, e dos (pseudo-)amigos?
Algo de muito errado se passa, para chegar a este ponto. Somos seres sociais, nascemos para conviver, crescemos com essa socialização. Amamos e somos amados, nascemos, para sermos felizes e muitas vezes só encontramos essa felicidade ao lado de outra pessoa, pareceria-me estranho, chegar a um dado momento, e não te conseguir dizer mais nada.
~ por Rui Peres em Maio 10, 2009.
Publicado em Humanity Disturbia
Tags: Socialização



Olá!
Sim, também já me apercebi desse “fenómeno”. Não que vá muitas vezes a esplanadas, mas isso vê-se em qualquer lugar público. Também já estive a reflectir sobre isso; contudo, por nunca ter experimentado nada do género (só quando se senta um conhecido com quem não há grande coisa a falar, ou seja, uma situação muito diferente daquela descrita no post), não posso dar uma resposta ao porquê de as coisas chegarem a esse ponto. Pode-se especular – cansaço, conformismo, tédio, indiferença…? Bem, mas não passa de especulação.
Se aceitarmos os motivos que acabei de referir como prováveis, acho que convém salientar a diferença entre um casal que se senta e fica calado por causa deles, ou aquele casal que se senta e fica igualmente calado, mas por outras razões. Não sei se já te aconteceu, e apercebi-me disso principalmente nos últimos tempos, mas, por muito que seja estimulante uma boa conversa, o silêncio também deve ser valorizado… Acho que, por vezes, é óptimo poder estar acompanhado de alguém sem ter que se falar. A própria presença de outrém é suficiente…
Abraço!
Falaste bem agora, como é costume em ti, o silêncio é muitas vezes desvalorizado. Sabe bem, simplesmente apreciar o que nos rodeia, com a pessoa de quem gostamos ao lado. Muitas vezes até se é mal interpretado:
“Em que estás a pensar?”
“Para onde estás a olhar?”
Mas há momentos em que não há nada para ser dito. No outro dia, tive uma agradável surpresa, encontrei um colega de escola que já não via há alguns anos. Ficamos quase duas horas a falar do nada e do tudo, enquanto esperávamos a vez para cortar o cabelo. Acho que as pessoas, já não sabem socializar. Televisão, jogos de computador, cultura para idiotas, tudo isto, faz com que as pessoas não se saibam exprimir, não saibam falar. Gajas, saídas à noite, beber, roupa, enfim, tudo isto, de alguma maneira, entope o cérebro. Talvez seja essa uma das razões, para nãp sair com ninguém há imenso tempo. Isso, ou sofrer de agorafobia.