Appears to be one thing, but its something else…

espelho

Vivemos numa sociedade em que é preferível parecer-se a ser-se. Sempre foi assim, mas cada vez mais são criadas condições para permitir esse artifício. Famílias com grandes carros, casas, enfim, bens, que aparentam são ricas, mas que, afinal, até nem o são. Gente que aparenta ser competente no seu trabalho, mas até nem o é. Pessoas que parecem ser cultas e inteligentes, mas na realidade são idiotas. Por que esse artifício traz “status”, traz nome e, como bem sabemos, abre portas. Mas as aparências, invadem-nos de uma maneira que nós nem temos noção e nem paramos para pensarmos um bocado. Quantas vezes escolhemos uma peça de vestuário que até nos faz parecer mais magro? Ou talvez mais alto? Ou até por que está na moda e não por gostarmos?  Criticamos facilmente um palerma por isto e por aquilo, mas somos capazes de fazer o mesmo. Henry David Thoureau, em “Onde vivi e para que vivi”, critica severamente a moda. O típico exemplo, que ele apresenta, é o do “status” que um homem de fato tem, em relação a um homem mal vestido. Thoureau, começa por explicar o porquê da utilização da roupa e prossegue criticando a passagem do útil ( conservar calor, proteger-nos contra os elementos e proteger a nossa própria intimidade), para o inútil e superficial. Este assunto, já era analisado anteriormente, mas numa área diferente. Platão, por exemplo, em “Górgias”, analisava como a retórica consegue vencer o conhecimento verdadeiro, mais uma vez o que aparenta ser ( neste caso, retórica que aparenta ser conhecimento), não o é. Mas este assunto envolve outros factores. Factores como o facto de se começar a beber, ou a fumar, ou a drogar-se, em troca de “status”, em troca de aparência, em troca da nossa personalidade. A sociedade está a embarcar, pelo que eu tenho assistido com os anos e observando mais a camada jovem, numa viagem à superficialidade, à moda, à aparência. Coisas que nós assistíamos em filmes americanos, em que as mais “giras” e “famosas” gozavam com as raparigas mais “diferentes”, parecem-me cada vez mais reais. Cantores que viram actores e vice-versa, constantemente. Gente sem qualquer talento, mas que até tem uma imagem mais “bonita”, ou mais “simpática”, consegue tudo o que quer. O pior, é que somos bombardeados com isso todos os dias. Revistas cor-de-rosa, canais sem qualquer qualidade cultural, cinema e música reles, mas se isto tudo existe, é também por nossa culpa.Vendemo-nos por pouco, para parecer um pouco mais aquilo que não somos, uns menos, outros mais. Não interessa ser, mas sim parecer.

~ por Rui Peres em Maio 21, 2009.

5 Respostas to “Appears to be one thing, but its something else…”

  1. É verdade. Basta ir aos centros comerciais aos domingos à tarde e até cheira a superficialidade, as raparigas não saem de dentro das lojas, sempre à procura da melhor roupa para impressionar, até doí a futilidade delas.

    É curioso o exemplo do homem de fato e o homem mal vestido, mas uma coisa é certa, vê-se muito em grandes empresas, de informática, o pessoal não está vestido informalmente, estão à vontade. É verdade que se tiverem de atender público, já tem outra apresentação, para impressionar a as pessoas, um ar de decoro. A mim não me faz diferença nenhuma a roupa, neste momento até já tem o efeito contrário, embora eu goste de vestir fato :P mas só uma vez por ano, no máximo :D

    Essa falsa aparência, em muitos casos, serve para disfarçar uma certa insegurança, uma falta de coragem para mostrar quem realmente se é.

  2. A mim não me faz diferença nenhuma a roupa, neste momento até já tem o efeito contrário

    Esta frase fez-me lembrar de algo deste género: “não foi bom, nem mau, antes pelo contrário”. :P

    (…) embora eu goste de vestir fato :P mas só uma vez por ano, no máximo :D

    (…) serve para disfarçar uma certa insegurança, uma falta de coragem para mostrar quem realmente se é.

    Ficas inseguro uma vez por ano? :P

  3. Senti que tinha de comentar, nem que fosse para dizer que concordo, principalmente com a parte que refere a mentalidade do “ah, é bonito e por isso até se vai safando”, a meu ver pouco saudável.

    Forma vs conteúdo é um tema sobre que se debate há séculos, e Platão fala dele também no “Diálogo Sobre a Justiça”, explicando de que formas se devem conjugar para atingir um fim, ou como determinado fim é gerado por uma certa conjugação dos dois – ou seja, aparentar a justiça e agir injustamente. Quanto a mim, embora reconheça a utilidade própria de um certo estatuto, não sinto grande necessidade de construir um que não corresponda fielmente à verdade. No post gerou-se uma boa discussão, na qual não participei por achar desnecessário repetir o que tinha sido dito antes. Contrariamente a um dos participantes, eu ainda aprecio a humildade, e tento cultivá-la. Sim, é uma grande verdade que só aprendemos ouvindo, mas, a meu ver, o reconhecer das próprias fraquezas revela um profundo auto-conhecimento, reconhecer esse que, além de ser bom em si próprio, pode ser bom nas suas consequências, que poderão passar pelo progredir. Mas, enfim, caio na banalidade…

    Como disse, só queria dizer que concordava. Cumprimentos!

  4. No post anterior, dizia eu!

  5. Afinal é tudo uma questão de “marqueting”! A imagem tem de vender. A imagem tem de dar a impressão que o conteúdo é de boa qualidade, independentemente se realmente é (isso é um pequeno pormenor…), seja um produto seja alguém. ;)

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