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Archive for Junho, 2008

Já queria falar disto há algum tempo, mas ia-me sempre esquecendo. Por acaso hoje, também me tinha esquecido, que cliché, mas lembrei-me há bocado. Ora bem, já me ia perdendo outra vez, como eu estava a dizer, eu hoje gostaria de falar do msn. Algo que me atormenta, peço desde já desculpas a toda a gente que implicar com as minhas seguintes afirmações, são os nicks que são usados. Aquela coisa de relatar a vida, o quotidiano de cada um, nos nicks, é algo que me faz uma tremenda confusão. Eu olho, bem queria olhar para o lado, mas é me impossível, em menos de nada já sei como vai a vida daquela pessoa. Quer dizer, parece que sou obrigado a saber a vida desta gente. Se também os tenho adicionado no msn, por ventura, é porque os conheço e como tal, até gosto de saber como é que eles vão. Agora, chapar-me todo o pequeno problema que têm, é no mínimo, detesto usar esta palavra, triste. É triste e eu explico-me o melhor que o engenho me ajudar. É triste, porque se eu quero saber algo de alguém eu pergunto, não preciso que essa pessoa mo diga. Parece, que têm défice de atenção. É a única explicação razoável que tenho para isto. Mas eu, dou um rápido exemplo, do que estou a afirmar:

Perdeu o namorado

nick: Aih coitadah de mim, vou mrrer xem ti.

Tirou má nota no teste

nick: P*ta d prof, eu xou mt inteligent, n perxebo ixto.

Portugal perdeu

nick: Xomox ox maiorex, cabr*ex dox alemaex.

É interessante, por algumas razões. Muitas vezes, nem sabem o porquê de dizerem isto. Dizem “porque sim”. Outras vezes, porque não conseguem concordar com quem tem a razão do seu lado. Teimosia e ignorância, é uma filosofia de vida, para alguns. Mas o que mais me entristece nisto, é mesmo o facto, de eu ter de saber o que se passa com a vida miserável de cada um. Já não me bastam os meus problemas, ainda tenho que ver os dos outros ? É como ir na rua, ver um conhecido (visar BEM a palavra conhecido, não confundir com amigo) que não se vê há algum tempo :

Eu: Olá Pedro.

Pedro: Olá Rui. É pá, hoje bati com o carro, foi parar ao mecânico vou ter uma despesa do caraças. A semana passada comecei a namorar com a Joana, mesmo boa aquela gaja. Entretanto, a minha mãe e o meu pai, foram de férias, mas voltam para a semana. Também, saíram os resultados de entrada na universidade. Já viste bem a minha sorte ? Consegui entrar em Arquitectura. Daqui a dez anos, já sou arquitecto. É verdade, a minha irmã casou-se há dois meses, ficamos todos a saber que já está grávida. Não tem vergonha nenhuma aquela mulher. E tu, que me contas?

Eu: É pá, nada de novo.

Pedro: Então vou indo. Tenho que ir preparar a mala, também vou de férias. Mas primeiro tenho que ir ao mecânico, para ver mais ou menos em quanto me fica a brincadeira. Xauzinho, porta-te bem.

Eu: Adeus Pedro. ( morre devagarinho, penso eu )

Claro, que no msn é muito pior, porque nem existe o “Olá” e sei imediatamente desta história toda. Depois disto, parece que tem horários de mudança do nick. Põe um relato, passados dez minutos, põe mais um bocado. É isto o dia todo. Eu, que só quero falar, à minha semelhança, com outros pobres diabos, tenho que aturar isto. Por isso peço, se tem défice de atenção, ou até mesmo de carinho, consultem um terapeuta, ou desinstalem o msn. Obrigado.

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Assassinato de Marat, Jacques-Louis David

Cada palavra é como uma nódoa, desnecessária no silêncio e no nada. – Samuel Beckett

Pegando nesta frase de Beckett, numa forma menos emocional. Não deixo de sentir uma certa relutância, ao sentido dela. Valorizamos actos a palavras? Quer dizer, uma pessoa que diz que luta por isto, por aquilo, que pensa duma maneira. E o seu inconsciente e acções representa o oposto. Afinal, em que acreditamos? Aceitamos a palavra dessa pessoa como a verdade absoluta? É algo que o ser humano nunca faz. As pessoas, instintivamente, opinam sobre o carácter de uma pessoa pelo que fez, pelo que é, pelo materialismo. Quando esta se tenta justificar, é inútil. Assim, embora seja um tema e uma frase muito generalizada, é um facto certo. Nós somos o que somos! Não o que dizemos ser! Gostava de ser analfabeto e não compreender o que me dizem, mas ser capaz de passar os olhos dessa pessoa, passar toda a imensidão da mente humana, de ler e compreender o que realmente sente. Uma mente que tão depressa mente, como diz a verdade, tão depressa ama, como odeia.

Não digas que não amas, quando ages como quem ama. Não digas que desistes, quando queres lutar. Não digas nada. Apenas faz, apenas age.

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Ultimamente, até tenho dificuldade em ir ter com os meus amigos. Porra, é que chego ao café, só me apetece voltar para casa. Eu explico-vos o porquê da minha estupidez. Assim que me sento, peço, primeiramente, o meu café. Mas, sem eu dar permissão, entra-me nos ouvidos conversas que Zeus me livre. Como alguém me disse uma vez, tudo é importante na vida. Por conseguinte, todos os que te rodeiam, são importantes na tua vida. Por mais, ou menos, interesse que tenham na tua vida. Como eu estava a contar, estas conversas, dão-me a volta ao estômago. Mesmo que eu não tenha jantado nada, só me apetece vomitar. Pensando eu, que gostaria de ter discussões interessantes. Mesmo, que o assunto não fosse a minha área, é sempre bom, intelectualmente, ouvir sobre outras áreas. Enfim, estas conversas são as verdadeiras conversas de “encher chouriço”. Ora, senão é falar mal do patrão, é a falar da gaja boa que acabou de entrar no café. Coitado do homem. Muitas vezes, pergunto-lhes : “então o gajo é cabrão, porquê ?” . Ao que, como eu estava à espera, não me conseguem responder convenientemente e racionalmente. É cabrão “porque sim“, dizem eles. É que além de não ter interesse nenhum, querem-me dar um atestado de otário. Depois lá vem à ribalta, a rapariga com o decote mais “arrojado”. Eu sinceramente, até me custa dizer isto, porque é triste da minha parte, tenho pena dela. Quer dizer, além de ter de trabalhar todo o dia, ou não, chega ao fim do dia e tem que ouvir piropos e olhares que assustam qualquer um. É que torna-se desagradável para qualquer pessoa, este tipo de situações. Além de que, como eu anteriormente referi, não tem qualquer interesse. Em seguida, são capazes de pegar no problemas do carro, ou na comida do almoço que não prestava, ou nos preços do combustível que não param de subir, ou, no assunto que eu abomino, futebol. Eu, não acredito que tenha assuntos mais interessantes que estes, mas acho que sou capaz de lançar para a mesa um pequeno debate, por mais desinteressante que seja, põe o colectivo a pensar. Será que estamos a deixar, que o quotidiano nos torne mais básicos do que o que já somos? Com muita certeza, a televisão portuguesa também não nos ajuda muito. Sinceramente, o que nos tentam impingir, não por todos graças a Zeus, é a verdadeira “cultura para idiotas”. Desde que ouvi alguém a dizer: ” o Canal 2 é pior canal da televisão, devia desaparecer”, já acredito em tudo. Parece que estamos a ficar cada vez mais desinteressantes. Esta onda tecnológica também, sinceramente por muitos benefícios que traga, porque sei que os traz, não ajuda muito. As pessoas deixam de querer pensar, também, basta ir ao google que já está tudo “pensado” por elas. O problema, é que depois se reflecte na hora do café e vou para casa com uma azia desgraçada.

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O amor…

Ai o amor, tão lindo que é. Amar, deve ser o sentimento mais bonito que existe. É tão refrescante, é tão poderoso. A nossa razão fica turva. Muitas vezes, não conseguimos fazer escolhas racionalmente. Ficamos obcecados, com a outra pessoa. Só pensamos nela. Deixamos de comer, dormir. As coisas, que normalmente teriam importância para nós, deixam de a ter. Nem vale a pena falar em ter atenção, quando anestesiados pelo amor. Ficamos loucos pela outra pessoa. Suspiramos a todo o momento. É por isso que eu penso, quando é que o amor, passa a ser doença ? A linha, é tão ténue que é difícil esmiuçar os dois. O amor, é algo importante, eu digo que, quem nunca amou, nunca viveu realmente. Mas e a doença ? Quando é que deixamos de viver por nós, mas sim pela outra pessoa ? Em que ponto nos tornámos prisioneiros, dessa pessoa ? Em que ponto, começamos a prender a pessoa a nós ? Começamos a ter medo de a perder, de tal maneira, que lhe tiramos, ou tentamos tirar, tudo. Os ciúmes, não ajudam nada. Começamos a ver coisas que não existem, é aí que começamos a morrer. Ficamos loucos, sim loucos, sem razão e de repente, deixamos de amar a pessoa. Vê-mo-la como uma posse, nossa e só nossa. Para mim, a doença entra, quando tudo isto aparece. Quando nos tornámos carrasco da outra pessoa. Quando perdemos a noção do que é felicidade, é quando a relação fica doentia. Se realmente amamos alguém, devemos fazer a outra pessoa feliz. Para mim, amar mesmo alguém, é quando, sem pensar, abdicaríamos da nossa felicidade pela dela. Para mim, amar é fazer a outra pessoa viver momentos felizes. Quando o amor deixa de ser altruísta e se torna egoísta, aí sim, não vale a pena lutar mais. O que ama verdadeiramente, deixa a outra partir, se sente que esta já não é feliz ao seu lado. Isto é amor, este libertar, este abdicar. Doença, é quando nos tornamos carrascos e prisioneiros do nosso amor.

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Narciso.

Tendo a minha primeira entrevista, sido o post com maior sucesso neste blog, repito a faceta. Desta vez o entrevistado é um narcisista. Fica aqui então a nossa conversa:

Eu: Então tu és um narcisista, essencialmente porquê ?
Ele:Porque acima de tudo, só me amo verdadeiramente a mim.

Eu: Não consegues amar mais ninguém ? ( namorados, pais, amigos)
Ele: Consigo, mas verdadeiramente só a mim. Acho que o resto é um pouco mais metafórico, portanto.

Eu: Quando dizes metafórico, queres dizer o quê ?
Ele: Por exemplo, um caso prático: “Preferia matar alguém para me salvar a mim. Ou, por exemplo, não admito que alguém que supostamente ame, se meta no amor que sinto por mim.

Eu: Mas começaste a ter noção que eras narcisista quando ?
Ele: Eu sempre tive estas, digamos, teses. Um dia, a conversar com uma pessoa, dos seus trinta anos, ela disse-me que eu era narcisista. Eu desconhecia tal facto. Digamos que é um bocado inato e também é devido à educação que tive.

Eu: Tens noção, portanto, que foi graças ao narcisismo de Hittler que aconteceu o que aconteceu ?
Ele: Sim. Tenho.

Eu: E não o condenas ?
Ele: Não. Ele não estava sozinho naquela luta e à semelhança dele houve outras pessoas que cometeram erros. Actualmente ainda se verifica isso. Ele não foi dissimulado, ao contrário dos ‘errantes’ de hoje.

Eu: Mas no fundo, matar é matar, independentemente de se assumir o objectivo ( da matança ) ou não ?
Ele: Sim, matar é matar. Depende é das circunstâncias em que matas. Por exemplo: “Eu mataria para me salvar, ou para salvar alguém que achasse que merecia viver.

Eu: Mas, acho que o Hittler não mandou matar milhares de pessoas por estas porém em risco a sua vida, ou seja, ele matou-as por se achar superior a elas. Não condenas então esta atitude ?
Ele: Não foi Hitler que as matou. Achas que ele estava sozinho naquela luta?! Mesmo assim, esse objectivo sempre é mais válido que os actuais, que os objectivos das guerras actuais.

Eu: Então tu achas que é mais digno, matar pessoas em busca de uma (pseudo-)superioridade do que por exemplo: matar pessoas por achar que estas põem em risco a segurança mundial ?
Ele: Não. Diz-me a guerra onde se mata pela segurança mundial. Isso é conversa para enganar ignorantes.

Eu: Disse “segurança mundial” como mero exemplo.

Eu: Como estavamos a discutir há bocado, tu achas que o ser humano não tem limitações, consegues-me explicar porquê ?
Ele: Porque nós somos o ser mais evoluído até hoje. Somos racionais portanto. E estamos cada vez mais a evoluir. Isso mostra que não há limitações. Nós conseguimos chegar onde queremos.

Eu: Poderemos pressupor, perfeição então ?
Ele: Exactamente. Mas claro, a minha perfeição não é A tua perfeição. Eu se me achar perfeita e tu não achares que seja , eu não deixo de ser. És perfeito e completo quando te sentes perfeito e completo.

Eu: Tu há bocado, explicaste-me sobre o teu domínio sobre os sentimentos, poderias-me explicar de novo ?
Ele: Eu afirmo que consigo dominar-me e não ser dominada por sentimentalismos.

Eu: Nem ser influênciada por eles, no momento de tomar uma decisão ?
Ele: Sim. Por exemplo: uma pessoa ofende-te, ou ofende uma pessoa que gostas, tu irias ser invadido de sentimentos ‘Maus’ e agir não muito conscientemente. Eu consigo controlar isso.

Eu: Consideras então que essa influência dos sentimentos nos seres humanos, faz parte das limitações dos mesmos ?
Ele: Sim, em certa parte sim. Mas devo esclarecer que não deixo de ser humana e cometo erros. Pois, não controlo os desejos, por exemplo. E não se controla os sentimentos num estalar de dedos, demora algum tempo, mas controla-se.

Eu: Então dizes-me, que neste momento só és influenciada pelos teus desejos ?
Ele: Não. Sou influenciada por tudo o que é meu e faz parte de mim. No fundo sou influenciada por mim mesma. Há pessoas que têm consciência disso e Controlam-se melhor , sendo esse, acho, o meu caso. Há outras que não utilizam a racionalidade que têm. Digamos, que há gente que pensa com a cabeça, outros com o coração, metaforicamente falando.

Eu: Para terminar, como te vês daqui a 10 anos ?
Ele: Vejo-me ainda a estudar. A viver numa cidade que não é minha. Vejo-me eu mesma, com as mesma filosofias, mas talvez modificadas não na sua essência. Vejo-me muito mais conhecedora do meu principal interesse: Religião, apesar de ser ateia. Também com muitos mais conhecimentos do foro psíquico humano. Vejo-me com algumas pessoas que tenho hoje. Vejo-me muito mais culta e matura, talvez já não seja narcisista. Mas acho que isso nunca vai mudar em mim, pelo menos eu não quero.

Apesar, de não concordar em muito do que foi dito, respeito. Tentei manter-me imparcial no que era dito, ao longo da entrevista, senão consegui, não foi deliberadamente.

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Criação do Homem, Miguel Ângelo

Toda a vida, tomei como garantido o que sinto. O que eu vejo, cheiro, ouço, digo e até mesmo o que sinto com a minha pele, foi sempre algo que nunca me questionei. Desde o que sinto por debaixo dos pés, como lá em cima o que vejo no céu, é algo que eu estou a sentir. Sempre presumi que o que sinto existe. Mas será que é assim ? Quantas vezes, oiço algo que me parece X, mas vou a ver e é Y. Será que o que oiço existe ? Os pássaros lá no céu, os peixes na água, enfim tudo o que possa imaginar, será que existe ? Como sei que os meus sentidos não me estão a pregar uma partida ? Como sei que a comida, que cheira deliciosamente, existe ? Sinceramente não sei. Da mesma maneira, não sei se o mundo existe. Poderei estar eu num sonho ? Poderá tudo isto fazer parte de uma outra dimensão ? Poderá algum génio maligno estar a controlar tudo isso ? Pensando sobre isto, poderei dizer que o que vejo está realmente ali, à minha frente ? Ou, até mesmo o calor que estou a sentir, será que existe ? Poderei dizer que este corpo que vejo claramente à minha frente existe? Se calhar, o génio maligno está a manipular a minha mente, para que, de facto, me ilude que possua um corpo. Descartes dizia :

Eu penso, logo existo.

Poderei dizer que sou eu que existo ? Poderei desta maneira afirmar a minha existência ? O mais certo, é que posso afirmar que algo existe, se sou eu ou não, disso não há certeza. Até porque, o génio maligno poderá estar a criar o meu eu, dessa maneira, não sou eu que existo, mas sim o génio maligno. Sendo assim, como poderei saber que o fruto dos meus sentidos existe ?

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Filósofo em Meditação, óleo de Rembrandt.

Um excerto que eu já queria pôr aqui, há já algum tempo. Pela sua beleza, mas principalmente pelo que nos tenta transmitir. Fica aqui então, um pedaço do Discurso do Método de Descartes:

A minha terceira máxima era procurar sempre antes vencer-me a mim próprio do que vencer a fortuna e modificar antes os meus desejos do que a ordem do mundo; e, geralmente, habituar-me a nada acreditar que, afora os nossos pensamentos, nada há que esteja, inteiramente em nosso poder, de maneira que depois de ter procedido o melhor possível, em relação às coisas que nos são exteriores, tudo o que impede que sejamos bem-sucedidos é, em relação a nós, absolutamente impossível.


Pois como a nossa vontade naturalmente só deseja as coisas que o entendimento lhe apresenta de algum modo como possíveis, é certo que, se considerarmos todos os bens que estão fora de nós como igualmente afastados do nosso poder, não lastimaremos mais a falta dos que parecem dever-se ao nascimento, quando deles privados sem nossa culpa, do que lastimamos por não possuirmos os remos da China ou do México; e que, fazendo, como se costuma dizer, da necessidade virtude, não desejaremos mais ter saúde, quando doentes, ou ser livres, quando prisioneiros; do que desejamos agora ter corpos de matéria tão pouco corruptível como os diamantes, ou asas para voar como as aves.

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