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Archive for Outubro, 2008

Adam

Adam, sentia-se triste. Sentia-se depressivo. Numa situação daquelas iria explodir. Iria estourar por dentro e depois transparecer um bocado cá para fora. Era diferente, desta vez. Tentou perceber porquê. Mas não sabia. A mágoa estava-o a arrastar. Mas nem fazia muito sentido, pensava ele. Não fazia sentido nenhum. Um palavrão e um suspiro de revolta, mas nem isso lhe era concebido. Apenas uma noite fria e chuvosa, era assim que se sentia. Nem tinha vontade de falar, ou de comer. O café aquecia-lhe as entranhas, porque a alma, essa, já tinha morrido de hipotermia. Os sentimentos ainda o arrastavam mais para o buraco. Simplesmente, o dia estava a correr mal e não havia volta a dar. Havia um dia seguinte: essa era a luz ao cimo do fosso. Mas nem isso lhe dava muitas esperanças. O que acontecera hoje, iria ter repercursões futuras e Adam sabia disso. Era essa consciência que o punha no fosso. Era isso que lhe dizia que as coisas estavam terrivelmente erradas. Que era injusto tudo o que lhe vinha a acontecer já há uns tempos. “ Que posso eu fazer?“, lamentava-se Adam. “Nada e tudo. Nada do que eu faça pode alterar a minha situação actual. Tudo o que eu lamente também não irá alterar nada“. Esse pensamento era simples e fazia todo o sentido. Fácil de perceber e de imaginar. Mas, como em tudo na vida, era mais fácil a teoria que a prática. Por isso mesmo, Adam, encostava-se mais no fundo do fosso. “Sinto-me bem aqui“, pensava ele. “Sinto-me bem na escuridão. Porque, por muito mal que caia sobre mim, mais escuro que isto não pode haver“.

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Começo sem introduções chatas e sem sentido prático algum (até porque já é tarde e estou cansado):

O que é um bom professor?

Se alguém me perguntasse isso, eu responderia: é uma pergunta bastante subjectiva. Até porque, para mim qualidades essenciais, para ser um bom profissional, podem ser umas e, para outro indivíduo, outras quaisquer. Mas não fugindo da pergunta. Se alguém me perguntasse tal coisa, talvez começasse por dizer:

Na realidade não sei. Já tive bons professores com personalidades bastante distintas e, no entanto, eram, sem dúvida, grandes profissionais. Já tive professores que percebiam do assunto e eram bastante antipáticos e pouco dados a confiança. Como também já tive professores com um sentido de humor brilhante e que davam imensa confiança e eram também bons profissionais.

Mas qual é a característica fundamental e essencial para se tornar um bom professor? Comecemos por ver o que é ser um professor. Qual é a sua função? Diria que é transmitir conhecimentos de uma forma clara e perceptível aos alunos, de forma a eles compreenderem os assuntos abordados . Não digo dominar, mas sim compreender. A parte do “domínio” é uma tarefa do aluno e não do docente. Porque compreendo que há pessoas que percebem intimamente conceitos complexos e são professores. Mas será suficiente dominar esses conceitos? Penso que não. De que serve um indivíduo falar de uma forma tão rebuscada e abstracta? Até pode ser um génio de que nada serve. E aqui os principais interessados são os alunos. Será que um professor autoritário é um mau professor? Para muita gente será. Será que um professor que não faça a “papinha toda” é um mau profissional? Para muita gente, sem dúvida alguma, é. Será que um professor rígido nas suas convicções e com dificuldade em aceitar opiniões de terceiros é um mau docente? Acho que sim. Eu vejo um professor, quase como um guia. Um guia que nos vai tirar de uma caverna escura que é a ignorância. Mas o não aceitar opiniões e defender dogmas descabidos não fará parte da teimosia? E a teimosia parte da ignorância? Acredito que sim. Pois bem, para mim isto é um bom professor:

Um indivíduo capaz de expressar os seus conhecimentos, sobre um dado tema, de uma forma perceptível à sua turma . Um indivíduo capaz de aceitar que errou à frente dos seus alunos. Um indivíduo capaz de se flexibilizar e aceitar outras opiniões. Um indivíduo que gosta do que faz e que gosta de se instruir na sua área. Um indivíduo que incentive os seus alunos. Um indivíduo que consiga apaixonar os alunos por aquela área.

Independentemente de ser carrancudo ou não, isto, para mim, é um bom professor.

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Ian

Aquele momento, era como a morfina. Conseguia atenuar um pouco a dor. Uma dor que ele vinha a experimentar há alguns anos. Nenhum pai deve enterrar os seus filhos, dizia. Entretanto, com o passar do tempo, tinha deixado de falar com as pessoas. Já nada o “puxava”. O jantar, esse, trazia-lhe uma lufada de vida. Estava rodeado de vida e de vidas. Atenuava um pouco, mas muito pouco. Ele não passava de mais uma sombra. A figura caricata, não lhe dava propriamente charme e, para alguns, tornava-o um bocado sombrio. Apesar de uma vida cheia de cor e dinheiro, de viagens e de condições que poucos homens podem ter gozado, Ian tornara-se uma pessoa muito solitária. Lembrava-se perfeitamente dos maravilhosos dias que passava com a família de férias. Da sua família todos morreram. Os que ficaram, esses, tinham desaparecido, ou pelo menos, Ian, fazia questão de dizer que sim. Apesar de tanto dinheiro, como ele dizia, esta solidão não conseguia fazer desaparecer. É como um cancro que aqui está. Puxa cada vez mais para dentro. Como um cancro não, como uma droga. Parece que a cada dia que passa ficava mais preso a ela. Ian, lembrava-se perfeitamente do que mais tinha medo : de ficar sozinho e esquecido. De querer falar com alguém, ou até mesmo confidenciar o seu dia e não ter ninguém para esse efeito. Ian não passava de mais uma sombra nesta sociedade. Não conseguia ter a iniciativa de procurar companhia, de procurar pessoas. Era demasiado orgulhoso para essa tarefa. Ao fim do dia, apenas dizia : “um homem, no final, morre sempre sozinho“.

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Sick

Sick of the same old label. Changed for this one. Hope you like it.

P.S. Mudei outra vez, sempre me “piscou o olho” este. Entretanto, criei outra página uma vez que fiquei sem colunas.

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Chloe

Chloe nunca se sentira assim, nesse estado de embriaguês amoroso. Fica-se pouco desperto para as coisas que nos rodeiam. Fica-se, subitamente, com outra perspectiva do mundo. Começa-se a ver que afinal o mundo até pode ser belo e maravilhoso. Sente-se um turbilhão de borboletas no estômago. A vida, nunca será igual ao que era no passado. De repente, Chloe, estava neste estado catatônico. Ria-se sozinha, qual menina apaixonada, quando pensava nele. Era assim que ele a fazia sentir: leve, feliz, sem medo de nada. Até os gostos iam mudando ligeiramente. Começava agora a fazer coisas que nunca tinha feito com ninguém. Havia algo mágico, naquilo tudo. Chloe, nunca seria igual ao que era. Porque, se formos a ver, Chloe rima com Zoe.

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Funciona

Após alguns testes e ensaios, funciona. Fiquei rendido à sua magia e à veia de escritor que faz pulsar em mim.

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Todo este processo de avaliação dos docentes em Portugal é, no mínimo, escandaloso. Os professores, na minha perspectiva, ficam com cada vez menos vontade de trabalhar. Horas e horas a tratar de processos burocráticos que, aparentemente, ninguém tem uma certeza de como os tratar. Será que alguém, depois de ter estado numa reunião até às tantas e depois de ouvir um raspanete do “conjugue”, tem vontade de ensinar, ou tentar, uma pequena percentagem de alunos interessados? Não me parece. Sou-vos sincero: não conheço intimamente os critérios de avaliação, mas ouvi falar de alguns. Será que um docente é responsável pelo abandono escolar? Meu Deus, onde é que um professor tem o poder de prevenir este tipo de decisões? Cada um sabe de si. Se calhar o aluno até tem necessidade de trabalhar, uma vez que os rendimentos dos pais não são suficientes para sustentar a família. Um professor deve motivar um aluno, para aprender e ter uma educação superior. Mas controlar a sua vida? Poupem-me. Após uma leitura, no Público de hoje, fiquei, mais uma vez, escandalizado:

(…) é proibido reter as crianças no 1º ano, “necessitamos de um trabalho diferenciador para ultrapassar este problema”.

Faz-me lembrar o efeito bola de neve. Mas quando se tem a oportunidade de parar a dita bola de neve na primeira fase ( leia-se: 1º ano ), que é que se faz? Deixa-se continuar. Depois atribui-se as culpas aos professores, porque são uma data de incompetentes. E os pais, ou tutores, destas crianças? Não têm responsabilidades no caso? Não têm, também, o dever de motivar as crianças? Parece que querem fazer dos professores portugueses, além de docentes, pais destas crianças. Mais um promenor: a estratégia do governo de mostrar belas estatísticas, assim como mostrou relativamente ao exame do 12º ano de matemática, é, no mínimo, ultrajante. Porque faz passar a imagem de que estamos a ter alunos cada vez mais capazes, mas, na realidade, são alunos que não fazem ideia do que estão a fazer. Os que fazem, são vítimas de um facilistismo que deita por terra todo os seus esforços ao longo dos anos.

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