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Archive for Fevereiro, 2009

Ian…iv

Farto de estar em casa, farto de ver sempre as mesmas paredes. Os restratos que o faziam lembrar dos velhos tempos com a mulher. Das viagens, dos momentos bons, das histórias, da vida. Ian pegou no chapéu e saiu de casa. Sentia-se morto por dentro, mas esta sensação já não era de agora. Ian sempre vivia pelo amanhã e ele já tinha previsto a hipótese de a mulher morrer primeiro que ele. Antes sequer dela morrer, Ian, já se ia matando aos poucos. Não fazia sentido, agora que o acto estava consumado, pensar no amanhã hoje. Ian queria mudar isso, essa forma de pensar, essa forma de estar na vida. Mas, grande parte das vezes, nós humanos, aspiramos a coisas que são superiores a nós. “Nasci assim e sempre fui assim, não é um vício, não é algo que magoa os outros, é algo que me magoa a mim, é algo que sempre fez parte do meu ser, não consigo mudar isso. Faria sentido mudar agora? Agora na decadência? Pior que isto é impossível.” Ian, dirigiu-se ao jardim. Já há alguns anos que não ia lá. Estava bastante diferente, tinha sido dividido por temas, de um lado uma zona de flores com um coreto mesmo no meio, noutro lado estava um lago com umas colunas romanas à volta. “Racionalizar a beleza. Pegar nela e fazer dela uma matriz. Aqui ponho isto, ali aquilo, assim desta e da outra maneira. Tudo categorizado e nada pode ficar à toa. Não faz sentido, a natureza é bela, por não ter leis, por ser selvagem, por ser livre. Sem entraves, sem regras, sem nada que condicione a sua vida“. Ian olhou para a relva, ali dividida por caminhos em paralelo. Apenas sobravam alguns metros quadrados de relva e uma árvore, qual ilha no meio do oceano, rodeadas pelos caminhos. Ian olhou para ela, tão isolada, tão sozinha, e sentou-se nela. Iria parecer estranho, para qualquer pessoa que por ali passasse e o visse, mas ele já tinha decidido. Sentou-se e ficou a olhar para o céu azul, depois tirou o chapéu e, com cuidado e estima, colocou-o ao seu lado. Deitou-se, por fim. Abriu os braços, suspirou e fechou os olhos. Começou a pensar na sua vida. Todos os anos que esteve a estudar, todos os anos que passou a trabalhar. “Para quê? Para quê tudo isto? Serviu-me de alguma coisa? De nada, estou aqui sozinho e sem merda nenhuma. Sem nada de  me orgulhar. Só vazio, só escuridão. Dos meus sonhos, dos meus desejos, aqueles que começamos a construir desde pequenos e que, à medida que crescemos, ou vamos esquecendo, ou começamos a descer à terra e ver que nunca os vamos realizar, o que me sobrou? O que é que consegui realizar? Desde os mais pequenos e sem nexo, até aos mais dispendiosos e aventureiros? Quantos realizei? Valeu a pena todo aquele estudo e dedicação ao trabalho? Será que no final, ao olharmos para trás, valeu a pena? Mais um carro, mais uma televisão, mais uma casa, mais um objecto fútil e sem qualquer sentido. É para isto que vivo? Para me gabar de ter um carro melhor? E para no final, quando já estou na cama, conciliar o meu novo automóvel com a vida patética que tenho? Era esta a vida que me estava reservada? Eu acho uma piada, quando alguém diz que é livre, que faz o quer da vida. Farás mesmo o que queres da vida?

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Sou sincero, não percebo nada de política. Gosto de ver pessoas a dizer: “Isto é aquilo, o governo não presta para nada…blablablabla”. Sim, tudo bem e porquê? Que é que se pode fazer para melhorar? “Pois, não sei…”. Exacto, é bonito ouvir pessoas a falar e a criticar daquilo que não sabem. Até me fez lembrar os alunos que fazem greve, até se pergunta o porquê da greve e não fazem a mais pequena ideia do que se passa. “Não há aulas, pois não? Então “tass bem”.”. Mas enfim, não é por este género de inteligência saloia que vim falar. Após ter sabido que a sátira ao magalhães foi censurada, fiquei perplexo. Onde está a liberdade de expressão? Não existe simplesmente. Não sei se o Ministro quando fala diz a verdade, ou mente com quantos dentes tem na boca, sinceramente não tenho informação suficiente para escolher um lado. Mas isto? Abolir a liberdade de expressão? Acho ultrajante e humilhante este género de iniciativas contra o povo português. Criticar e nada acrescentar para as coisas se resolverem, é fácil. E lutar pelos direitos básicos? Decididamente, para chegarmos a isto, é por que algo anda terrivelmente mal.

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Alguma vez se questionaram porquê é que a mulher é tão exposta? Quando eu falo em exposição, refiro-me a publicidades , tanto em papel como em televisão, e “espécies” de profissões. Porquê este devaneio, a estas horas? Estava ali a ver uns clips de Fórmula 1 e vi aquelas raparigas que andam de um lado para outro, sabesse lá porquê, como se fossem pedaços de carne. Quer-se dizer, elas são bonitas, elas são atraentes, elas têm roupas justas e curtas. Porquê? Será que irei apreciar melhor uma corrida por elas estarem ali? Provavelmente não. Digo-vos, acho que, sinceramente,  o espectáculo só perde com isso. Para começar por que os esfomeados deixam de se concentrar na corrida, para ver outras coisas. Para os outros, por que as raparigas são expostas de uma maneira deprimente. Claro que se elas estão ali, não será por que alguém lhe apontou uma arma à cabeça, mas não deixa de ser rebaixante. Aquela velha máxima aparece: “o corpo é meu, faço o que quero com ele”. Sim, mormente é certa essa máxima. Apenas acho que a imagem da mulher, com este tipo de iniciativas, sofre bastante. Porquê? Porque dá a sensação que a mulher serve para aquilo: satisfazer o homem. Não poderia estar mais longe da verdade, mas o pensamento, involuntariamente, tende para essa ideia. Se existe oferta, é por que há procura, não haja dúvida, mas a que preço? Qual é o preço moral e pessoal?

Grande liberdade, traz grande responsabilidade.

Mas, mais uma vez, cada pessoa é livre de fazer o que quiser, pela sua vida.

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Bem o Nelson não me costuma deixar mal, quando a fonte da inspiração seca. Mais uma vez, deu-me algumas ( bastantes ) luzes do que escrever a seguir. Pois bem, vou falar do fórum mais português que existe: chupa-mos.com. Poderia explorar isto por várias vertentes, mas vou-me concentrar numa essencialmente. Quando nos sentimos traídos e humilhados, quando estamos autenticamente no fosso, o que fazer? Pôr fotos intimas da nossa ex- no fórum, para o povo ver ( quando são fotos, por que às vezes são vídeos ) . Como poderei dizer isto? É uma atitude super natural, tristemente natural. É complicado gerir esta coisa: o ódio, a dor, a saudade. É completamente natural e eu não censuro ninguém. Poderei até dizer que a vingança é um sentimento inerente à nossa existência. Mas falando a sério :

A pessoa que nós amamos. A pessoa que nos ajudou a superar as dificuldades. A pessoa que esteve sempre ali, mesmo quando as coisas “apertavam”. A pessoa que suportou as nossas “merdas”. A pessoa que partilhou a vida dela conosco. Ali exposta como se fosse um pedaço de carna, qual talho do Intermarché, para todos os “esfomeados” petiscarem.

É vergonhoso, como é que alguém poderá descer tão baixo. É….humano. É que, desviando um bocado, não é apenas no chupa-mos.com que este tipo de coisas acontencem. Blogs feitos à pressão, são criados para humilhar a pessoa que nos deixou. E a vida dessa pessoa, após tal terrível ataque? É que vejamos bem as dimensões disto, a vida da pessoa torna-se uma batalha diária: as humilhações, a vergonha, a auto-estima colocada a níveis negativos. Tudo muda de repente e porquê? Por que partilhei a minha intimidade com alguém e essa pessoa não teve maturidade suficiente, para seguir em frente. Mas quem fala de fóruns duvidosos, também fala de conversas de café. A vangloriação frente aos amigos, o rebaixar da pessoa em praça pública. Enfim, um sem número de ataques juvenis à intimidade da pessoa que nos amou e que nós amamos. É curioso verificar os inúmeros fóruns que são fechados por conteúdos menos próprios, no entanto, o chupamos.pt continua com a “vigorância” toda. Raparigas ( e rapazes?) menores que são expostos e humilhados e nada é feito. Acho que as prioridades das pessoas andam terrivelmente trocadas. E quem é capaz de fazer isto ( contra ) a outra pessoa, só pode ser uma pessoa extremamente humana.

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Need help!!!!

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E andava eu distraído ( leia-se: sem nada para fazer ), quando, de repente, me aparece esta pérola no msn:

ser feio é um obestáculo á felecidade 

Um nick, igual a tantos outros, que me deixou a pensar:

Como não faço um post ( a sério ) há tanto tempo, deixa-me aproveitar e fazer algo produtivo.

Se fosse hipócrita, começava o meu devaneio e relatava o que me ocorrera na cabeça, dez minutos após ter lido o nick. Como o tento ser menos possível, começo por contar o que me ocorreu nos primeiros dez minutos. Foi algo neste tom:

Esta gente deve ser estúpida…. Então é por ser feia que não tem uma pessoa ao lado? Ou tem menos oportunidades na vida? Porra, se, por alguma razão, é infeliz como o raio, deve ser por ser estúpido ao ponto de nem saber escrever uma frase com sete palavras.

Respirei…. acalmei-me….

( passam dez minutos )

Independentemente do aspecto de uma pessoa, a felicidade pode, se esta estiver disposta a isso, ser encontrada. Poderão dizer-me:

Ah e tal, mas as raparigas não olham para ti…

E eu responderia:

Se tens uma rapariga ao teu lado, só por seres bonito, então meu amigo, está bem lixado. Isso não é nada. No amor verdadeiro, a beleza do parceiro é uma pequena fatia do bolo. Claro que eu não vou andar com uma pessoa que não me agrade, minimamente, fisicamente. Mas também andar com alguém, apenas, pelo seu aspecto exterior, é algo, verdadeiramente, deprimente.

E poderiam-me dizer:

Ah e tal, mas ao teres um melhor aspecto físico, vão-te ser abertas mais portas para conhecer mais gente.

E eu poderia  ( tentar ) dizer:

Acho que não é o aspecto físico o factor mais importante para conheceres mais gente. Um homem bonito que só saia de casa para o essencial ( trabalho, compras, pagar contas ), mesmo sendo bonito, não tem grande oportunidade de conhecer mais pessoas. Acho que cabe a uma pessoa, que se ache menos atractiva, criar essas oportunidades. Sair à noite, poderá ser uma delas. Ter uma atitude mais optimista, também ajudará. Cultivar-se, como pessoa, tanto em termos intelectuais como em ter físicos ( ginásio ), com certeza que a irá favorecer. 

Contudo, as pessoas esquecem-se disso. A parte intelectual. Saber falar, saber estar, saber comportar-se. Saber ter uma boa conversa. Uma conversa culta e inteligente com uma boa pitada de humor. A partir do momento que se leva um “NÃO!!!”, desiste-se de tudo. Fará sentido? Sim, ficar no meu quarto a lamentar-me do meu aspecto, com certeza me irá ajudar. Outro problema inerente a tudo isto, é o facto das pessoas, quando vêem outra pessoa que lhes interessa, irem imediatamente com objectivo bem definido de a “engatar”.  Conhecer? Saber os interesses? Saber o que ela pensa sobre isto, ou aquilo? Pois, realmente não me interessa. Interessa-me pegar naquela pessoa, ir para um local mais “privado”, e começar o ritual. Sinceramente, acho que é um erro fácil de se cometer. Mas também acredito que seja difícil que a outra pessoa acredite que nós só estamos ali para a “conhecer melhor”. Mas já me estou a afastar da questão. O essencial, na minha perspectiva, é que uma pessoa se deve cultivar noutros pontos. Deve manter uma atitude optimista sobre o seu futuro e não ir a baixo por um simples “NÃO!”. A partir do momento que começamos a viver a vida de uma forma mais relaxada e deixar que as coisas aconteçam naturalmente, vão ver que tudo corre melhor. Se tiver que acontecer, irá acontecer, senão é por que não era a pessoa certa.

 

 

P.S: Qualquer parecença deste post com livros do género: “Ajude-se, você está a precisar”, “Por favor, preciso de uma arma”, “Como viver melhor, mesmo não sendo verdade”, ou coisas do género, é pura coincidência.

 

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Adam…iii

“E olho e sinto-me enojado… indignado… estupefacto… Parece que à medida que crescemos, não evoluímos…. Ou melhor, evoluímos, mas negativamente. Mais ignorantes… mais egocentristas… mais virados para o que é nosso e só nosso. Sinto-me embrutecido, sem paciência para merda nenhuma… Olho e fico parvo e não aguento e expludo cá dentro… E paro para respirar um pouco… Porra estou-me a tornar pior que eles… Parados, gelados, sem nada na cabeça… Bestas sexuais que não têm sentimentos… Será que estou a ficar assim? Sem nada para oferecer, só nojo e injúrias? Sem nada… Quero mais, muito mais… Pôr tudo de lado… o vulgar, o comum, as balelas retrógradas e vectorizadas à estupidez, sem qualquer sentido, sem qualquer pudor que me assaltam os ouvidos por qualquer lugar que passo… O parar no tempo, o “deixa andar”, estou farto… disso… Ficar um dia inteiro deitado na cama…. uma semana… um mês… uma vida… Abandonar a vida por completo e “deixa andar”… Passivos e amorfos…. Como poderei viver assim? Sem objectivos? Sem merda nenhuma?! Como pode alguém viver morto? Sem nada para fazer, sem nada para se viver? Viver desta forma?! Assim?! Sexo, bebidas, ociosidade servida fresca todos os dias?  Que merda… Que nojo… Detesto-os e começo-me a detestar…”

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Uma música que me surpreendeu….

I’m sitting in the concrete
I’m listening for a heartbeat
I’m sitting in the painting
I promised I’d be waiting
I’m sitting in the window
I’m listening to the wind blow
I’m sitting in an hour glass
I’m waiting for the march past

I’m sitting in the doorway
I’m wishing for a new day
I’m choking in the landscape
I’m cutting through the red tape
I’m sitting in the concrete
I’m listening for a heartbeat

And the joke has crossed the line
And the final word is mine
And the mist has touched the wood
And the words are understood
And the sand has drifted high
And the blind man gave a cry
And the swallows dance above the sun
And the swallows dance above the sun
Yeah

I’m sitting on the ceiling
I had to know the feeling
I’m sitting in the shelter
I’m going down helter skelter
I’m sitting in the concrete
I’m listening for a heartbeat

Every time I turn around
There’s another face watching me
Every time I turn around
There’s another voice calling me
Every time I turn around
There’s another fool reading me
Every time I turn around
There’s another silence drowning me

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