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Archive for Maio, 2009

espelho

Vivemos numa sociedade em que é preferível parecer-se a ser-se. Sempre foi assim, mas cada vez mais são criadas condições para permitir esse artifício. Famílias com grandes carros, casas, enfim, bens, que aparentam são ricas, mas que, afinal, até nem o são. Gente que aparenta ser competente no seu trabalho, mas até nem o é. Pessoas que parecem ser cultas e inteligentes, mas na realidade são idiotas. Por que esse artifício traz “status”, traz nome e, como bem sabemos, abre portas. Mas as aparências, invadem-nos de uma maneira que nós nem temos noção e nem paramos para pensarmos um bocado. Quantas vezes escolhemos uma peça de vestuário que até nos faz parecer mais magro? Ou talvez mais alto? Ou até por que está na moda e não por gostarmos?  Criticamos facilmente um palerma por isto e por aquilo, mas somos capazes de fazer o mesmo. Henry David Thoureau, em “Onde vivi e para que vivi”, critica severamente a moda. O típico exemplo, que ele apresenta, é o do “status” que um homem de fato tem, em relação a um homem mal vestido. Thoureau, começa por explicar o porquê da utilização da roupa e prossegue criticando a passagem do útil ( conservar calor, proteger-nos contra os elementos e proteger a nossa própria intimidade), para o inútil e superficial. Este assunto, já era analisado anteriormente, mas numa área diferente. Platão, por exemplo, em “Górgias”, analisava como a retórica consegue vencer o conhecimento verdadeiro, mais uma vez o que aparenta ser ( neste caso, retórica que aparenta ser conhecimento), não o é. Mas este assunto envolve outros factores. Factores como o facto de se começar a beber, ou a fumar, ou a drogar-se, em troca de “status”, em troca de aparência, em troca da nossa personalidade. A sociedade está a embarcar, pelo que eu tenho assistido com os anos e observando mais a camada jovem, numa viagem à superficialidade, à moda, à aparência. Coisas que nós assistíamos em filmes americanos, em que as mais “giras” e “famosas” gozavam com as raparigas mais “diferentes”, parecem-me cada vez mais reais. Cantores que viram actores e vice-versa, constantemente. Gente sem qualquer talento, mas que até tem uma imagem mais “bonita”, ou mais “simpática”, consegue tudo o que quer. O pior, é que somos bombardeados com isso todos os dias. Revistas cor-de-rosa, canais sem qualquer qualidade cultural, cinema e música reles, mas se isto tudo existe, é também por nossa culpa.Vendemo-nos por pouco, para parecer um pouco mais aquilo que não somos, uns menos, outros mais. Não interessa ser, mas sim parecer.

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Elitismo…

elitismo

De forma consciente, pomos de parte todos aqueles que não são a favor da nossa maneira de pensar, ou pelo menos, parte dela. Eu dou-vos um exemplo, nunca fui pessoa de sair à noite, nunca bebi, nem fumei, sou um “freak”. Fui sempre posto de parte, ou terei sido eu a pôr-me de parte? Olho para o que sou agora e para tudo o que se passou e sendo razoável, fui eu sempre que me pus de parte. Desejava imenso, conseguir-me integrar, mas nunca o consegui fazer. Era a postura de rebelde sem causa, a maneira de pensar, a conversa, ou a falta dela, de todo, não sei bem. Não sei bem se eram os piropos a raparigas bonitas, se eram as bebedeiras, se era o armar o banzé nas salas de aulas. Não consigo assumir isso, não consigo começar a fumar, ou a beber, só para integrar um grupo. Provavelmente tenho auto-estima suficiente para poder dizer: antes só que mal acompanhado. Talvez seja mesmo isso, o facto de me sentir superior a todos eles, cria, em mim, um profundo sentimento de solidão, que não é solidão para mim, mas que pode ser considerado solidão para muita gente que me observa ao longe. Por me querer afastar daquilo, por achar estúpido e pouco, sei lá, original? Por toda a gente se considerar “cool”, ao beber, ao sair à noite, ao comer gajas, eu acho triste e vulgar. Será que este elitismo a roçar o narcisismo, é, para mim, saudável? Não me idealizo de outra maneira. Daí nem interessar se é saudável ou destrutivo. A auto-estima nem me deixa pensar de outra maneira. Gosto de ser assim, diferente? “Todos somos diferentes à nossa maneira”? Treta, são todos iguais, cá fora são todos iguais. É por isso que nem me interessa conhecer, passam ao lado. Já me imaginei, se tivesse menos auto-estima, e se não conseguisse acreditar no “antes só que mal acompanhado”, como seria? Vazio e terrivelmente  vulgar.

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42-18034007

É algo curiso que eu tenho vindo a notar, mais frequentemente. Algo que nos escapa e que já nos aconteceu, ou acontece. Já estava para escrever este post há muito tempo, mas como tenho pouco tempo para fazer outra coisa, e muito tempo para fazer nada, decidi escrever isto. Algo que eu tenho vindo a notar, quando me instalo numa esplanada, de um café, é as conversas que outras pessoas ( leia-se: casais) têm. E qual é essa conversa? Política? Futebol? Novelas? Família? Poderia ser tudo isto e muito mais, mas a realidade é esta: não dizem nada. Ficam séculos e séculos a olhar de um lado para o outro, sem nada dizer. Ele põe-se a ver o jornal, com ar de quem está muito interessado naquilo, quando, na realidade, está a apanhar uma bruta seca. Ela põe-se a ver a roupa das outras mulheres que passam, volta e meia, quando o desespero aperta e o orgulho diminui, olha para ele, com ar de gatinho bebê. Se acham que eu estou a dizer isto da boca para fora, experimentem fazer isto, já hoje se for preciso.  Irão ver, em pouco tempo, que, apesar de eu não fornecer dados científicamente provados, as minhas palavras não andam (nada) longe da verdade.  Não percebo como é que uma relação pode chegar a este ponto. Não sou uma pessoa que fale muito (acho eu…), mas, mesmo no meio daquele “silêncio de cortar à faca”, consegue-se sempre arranjar qualquer coisa. Nunca precisei de arranjar/inventar uma conversa de encher chouriço, quando bem acompanhado, daí não conseguir perceber o que raio se passa ali.

Hey, sim tu, essa é a pessoa com quem fazes sexo e com quem vives. Sim, essa mesma, a quem tu dizes “amo-te”, “és tudo para mim”. Essa mesma a quem tu fazes juras de amor. E agora não me consegues arranjar uma conversa? Família? Problemas que te andam a assombrar? Nada? Mesmo nada? Nem a típica conversa de falar mal do patrão, e dos colegas, e dos (pseudo-)amigos?

Algo de muito errado se passa, para chegar a este ponto. Somos seres sociais, nascemos para conviver, crescemos com essa socialização. Amamos e somos amados, nascemos, para sermos felizes e muitas vezes só encontramos essa felicidade ao lado de outra pessoa, pareceria-me estranho, chegar a um dado momento, e não te conseguir dizer mais nada.

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Tive os dois na mão e pensei cuidadosamente.

lvn

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E o vencedor foi: Lolita de Vladimir Nabokov.

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