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Archive for Outubro, 2009

Full stop

Não sei falar. Se o soube foi noutra altura. Noutro momento que não agora. Parei. Deixei a eloquência de lado. Fui-me encostando devagar a vícios linguísticos fáceis que me fazem lembrar os cheeseburguers do Mcdonalds: baratos, rápidos de comer e sem qualquer valor nutritivo. É mais fácil assim. Iniciar uma conversa sem qualquer objectivo. Sem qualquer substância. É mais fácil assim.  Para mim, e por mim, não há muito que possa ser dito, quer hoje quer amanhã. Começo devagar e sem qualquer orientação inerente ao caminho que gostaria de percorrer. Tenho tempo para pensar no que vou dizer, porque começo devagar. Mas não sei que dizer. Começo: “tipo, que fazes amanhã. Tipo estás a ver podíamos ficar por aí e fazer umas coisas e tal”. É isto? Engano-me em três palavras e num pausa. Não consigo mais que isto. Parei de vez, porquê? Parei outra vez. Não consigo explicar. Não há nada mais que isto? Talvez haja, mas não para mim. Não consigo ser fluído e eloquente como já fora, quando a minha mãe me obrigava a ler todos os dias antes de dormir. Lia, parava. Comia uma bolacha e bebia um bocado leite. Uma pequena pausa, para aquele momento mágico. Que rotina, que bom. A bolacha é tão boa, mas não sabe tão bem como aquilo. E agora? Paro outra vez. Não há caminho, por isso é que paro. Vou para onde? É como estar numa rotunda e não escolher uma saída. Porque havia de o fazer? Estou tão bem aqui. Its so amusing. É tão bom, quando parámos e nos deixamos levar. Quando pegam em nós e nos levam para onde, não onde nós queremos, mas para onde eles nos querem levar. E deixamo-nos ser conduzidos. É tão fácil. E agora? Não sei. O rio secou, os peixes morreram. Só há pedras e terra seca. É assim que eu paro outra vez. Eu só bom rapaz, eu juro que sou. Apenas parei…

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In the Dentist chair…

Eu fico estático e bastante feliz como uma conversa interessante, ou ideia,  possa surgir do nada e, mais engraçado, no último lugar para ter uma conversa fluída: no dentista. Apesar de ter esperado umas horrorizantes e revoltantes duas horas, para conseguir ser atendido, lá o consegui. Nem a subtil e gasta desculpa da auxiliar foi suficiente para me apaziguar: “pois, estamos um bocadinho atrasados”. Por momentos, apeteceu-me ter uma conversa franca com a senhora, para que se deixasse de hipocrisias e, pelo menos, explicasse o porquê da demora e, aproveitasse, para explicar o que é para ela “um bocadinho”. Entrei. Sentei-me.  Aperto de mão não muito firme e rápido, quase como se não tivesse tempo de encaixar totalmente a minha mão na dele. Bajular anedótico na primeira fala:  “Como está engenheiro?”. Não sendo eu engenheiro, fiquei encantado com tais palavras, como uma adolescente ao saber que entrou para a equipa de cheerleaders. A sessão começou…

Detesto dentistas. Ou melhor, detesto a consulta em si. Não pelo facto de me estar a doer, claro que isso é desagradável, mas por aquele zumbido que sentimos dentro da cabeça. O pouco digno: “abre mais a boca”. O maxilar a começar a doer. O cheiro, ao de leve, parecido, mas não totalmente, a queimado, quando a broca fica tempo demais a perfurar o dente. O aparelho que nos põem na boca a sugar a saliva que, por incompetência ou por descuido, começa a sugar, não saliva nem sangue da gengiva, mas sim a própria gengiva. Como um chupão desajeitado na forma e na força.

– Já me vais fazer perder o jogo de Portugal. Tu não gostas de futebol?

– Nem por isso. Quer dizer, gosto de jogar. Mas ver, nem por isso.

– E não estás a torcer pela selecção?

– Nem por isso. – passa-me, por momentos, a imagem da bandeira finlandesa – não gosto de Portugal.

– Não gostas do país?

– Pois.  Não gosto de Portugal, pelo caminho, também não gosto da selecção.

– Mas devias gostar do país.

E aqui eu penso: “Fodasse, este gajo está-me a querer vender banha de cobra”. O resto do diálogo não é importante, o essencial aqui é que parece que devemos algo ao país em que nascemos e que temos o dever de o defender contra qualquer pomposo com problemas nos dentes.  É como ter que gostar de um familiar, apenas porque é familiar. Não faz sentido. Sou demasiado pragmático para essas questões. Segue-se cerca de um minuto de conversa fiada, no entanto eu só pensava: ” Sim, sim mas e porquê caralho?”. Pergunta que ficou sem resposta. Enfiou-me um bocado de algodão, na parte lateral direita e superior da boca, entre os dentes e parte interior da bochecha, e mandou-me fechar a boca e fazer força. Calou-me… Um dentista sem argumentos e com uma conversa sem  ponta por onde se lhe pegue, cala-me desta maneira.

5 minutos…

– Estive a ouvir a conversa e acho que devias gostar de Portugal. Não sei porquê…

Eu amordaçado e sem permissão para tirar a mordaça, respondo-lhe com uma ligeira contracção dos músculos da minha boca. Se não tivesse a merda do algodão, seria um sorriso irónico como quem diz:  “Oh, mata-te”. Então estou eu a ouvir estas merdas, mas o suminho, o argumento está onde? Pois, está nesse mesmo sítio. Orgulhar-me de quê? O que há aqui para gostar? Cheguei à conclusão que é o país onde nasci. Somente e nada mais.

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Notícia aqui.

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Plano de leitura para os próximos tempos:

Philip Roth_A Mancha Humana

Philip Roth, A mancha Humana

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retrato_dorian_gray

Oscar Wilde, O retrado de Dorian Gray

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lolita

Vladimir Nabokov, Lolita

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o-grande-gatsby

F. Scott Fitzgerald, O grande Gatsby

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