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Archive for the ‘Opinion Maker’ Category

Eu sei que o dia aí vem, mas mais vale esperar um pouco e dar a prenda dia 18 ou 19 do respectivo mês. Que delícia o bilhete vip… E shine on you crazy diaaaaaaaaaaaaamond

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E mais do mesmo, ao menos tem o Anthony Hopkins o que não é mau, mas o tema é muito infeliz…

P.s: Acho que o Benicio del Toro não precisava de caracterização…

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Sossegadamente ia passando as folhas do jornal, já tinha cortado a televisão há bastante tempo. Chamava-lhe “cultura para idiotas” e por isso mesmo actualizava-se daquela forma. A empregada tinha ordens para lhe trazer o jornal todos os dias. Ela aparecia de manhã, juntamente com o jardineiro, para tratar da velha mansão da família. Com o tempo, Ian, tinha-se desleixado na sua manutenção. Mas a partir do momento que Ian não conseguia ver a paisagem do seu quarto, devido ao “maldito carvalho americano“, tinha contratado um jardineiro. Apesar de já não ser nenhum jovem, com força para subir uma escada e domesticar o carvalho, Ian, após ficar sozinho, tinha perdido também vontade de fazer quase tudo. Daí ter contratado também a empregada que lhe fazia as refeições e tratava da limpeza da casa. Ian, anos antes, fazia questão, e como ficava cheio de orgulho, de ser ele a tomar conta da casa, enquanto a mulher tratava das suas coisas. “É uma arte. Quem diz o contrário é um mentiroso hipócrita. É preciso amor, dedicação e originalidade, para saber cozinhar bem. Dá-me gosto, mais gosto que ganhar um projecto lá na empresa. E como me dá prazer ver o meu anjo deliciar-se com as minhas iguarias“. Tais pensamentos atormentavam-no às vezes. Tormento por estar sozinho. Tormento por não ter nada com que se agarrar à vida. Tormento por estar a morrer. ” Todo o ser morre sozinho. Mas estou convencido que na vida, assim como na morte, o mesmo acontece.”

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gogol

Somos, à semelhança do que tenho lido de Gogol, brindados com um estranho, e “improvável”, caso. O leitor é conduzido, na primeira pessoa, por um funcionário público que, completamente apaixonado pela filha do patrão, vai confessando, em forma de diário, as suas “conquistas” e os seus desesperos.  O livro, aos poucos, vai-nos expondo as dificuldades que este homem tem em demonstrar o seu amor pela filha do patrão; a tristeza que tem em nada conseguir fazer para mudar a situação; e a árdua tarefa de se afirmar como pessoa importante, no seu local de trabalho. Com bastante astúcia, Gogol, consegue, através do seu típico humor e arte, deixar o leitor com pena da personagem principal. Tanto por se sentir frustrado com a sua vida profissional, como pela sua, não existente, vida amorosa. As alucinações de que a personagem principal sofre, faz com que este, como se fossemos testemunhas das palavras de um louco, não tenha qualquer noção do que é real/irreal, certo/errado. E como, de facto, somos testemunhas desse louco, somos conduzimos para dentro de uma realidade alternativa, definida e construída por este. Como tal, um misto de humor e tristeza é nos gradualmente injectado no pensamento, à medida que a degradação mental, da personagem principal, aumenta. Melancolicamente cómico, é o que eu acho deste belo conto de Gogol.

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Aqui está um estranho caso. Não se consegue compreender muito bem o que aqui, de facto, se passa. Porque se uma criança consegue ler sem qualquer dificuldade, graças à sua ingenuidade, um leitor mais velho vê-se confuso. Uma confusão que faz pensar nisto: deverei ler isto como se de um conto de ficção se tratasse? Ou deverei ler as entre linhas deste livro e procurar a mensagem, ou sátira, que nos transmite? Estava, ao mesmo tempo que lia, entre a fronteira das duas hipóteses. E no final a que conclusão cheguei? A nenhuma. São ambas plausíveis.  Tanto o são que se consegue extrair da leitura uma boa quantidade de ambas as hipóteses. Não é uma em especial, mas são as duas ao mesmo tempo. É o cómico da situação. É a maneira de como lidar com aquilo. É a loucura de um homem que se vê, sem querer e sem nada poder fazer, sem nariz. A vítima, como Gogol escreve abertamente, não tinha receio de perder uma perna, ou outra coisa qualquer, tinha medo de como seria recebido socialmente naqueles lamentáveis propósitos. O humor gogliano aliado à sua crítica social ao misticismo enraizado nos seus semelhantes, é o que torna esta fábula tão especial. “Não precisa de ter um objectivo”, além de entreter. Esta foi a minha maior dificuldade quando acabei de ler o livro. Enquanto que em Kafka, à medida que lemos, conseguimos encontrar uma sátira, ou crítica directa, mais visível, em Gogol não. Está escondida, ou é até mesmo inexistente. Mas mesmo assim, Gogol oferece-nos a sua veia cómica e toda a sua arte em criar ambientes irreais, ou absurdos. 

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Apesar de não ter qualquer estudo, experiência, ou bom senso, sobre revisões, críticas de obras, ou qualquer análise literária, mas sim uma opinião, irei dar o meu parecer sobre esta obra. Como o conceito de “opinião” traz, em si mesmo, todo o pressuposto de subjectividade, a minha opinião é isso mesmo: uma opinião.

O Castelo, de Franz Kafka (ed: Relógio de Água):

Das análises que vi ou nenhuma me satisfazia, ou eram demasiado superficiais. Não é certo, mas, deduz-se facilmente que, em primeira instância, podemos considerar que é uma crítica ao sistema burocrático. À maneira demorada e fria com que os casos são processados. Ao jogos de interesse que existe em determinado assunto e à maneira desinteressada com que outros são tratados. O registo de todo e mais insignificante pormenor, também poderá ser considerado, a meu ver, uma invasão da privacidade das pessoas e ao súbito controlo que, de repente, aparece na vida das pessoas envolvidas pela teia burocrática. De maneira superficial,  também se vê claramente uma crítica à maneira como o “povo” vê , ou eleva, pessoas que, supostamente, estão acima delas, mesmo não havendo uma hierarquia feudal. A pessoa que tipicamente aceita mais facilmente ordens/ideias de uma pessoa engravatada/bem vestida com cargo importante do que de uma pessoa sem, aparentemente, conhecimentos ou poder ( alusão a Górgias de Platão ).  Convenhamos dizer que Kafka satirizou perfeitamente as sociedade de hoje em dia: sociedade ignorante, temente a gente com poder, não questionando as acções e as razões para. A ideia do abismo entre o poder e o sem poder é levada ao extremo por Kafka: ninguém tem a certeza de nada, ninguém sabe se Fulano é mesmo Fulano e não Cicrano; impossibilidade de dizer de como recorrer de algo; impotência relativamente a qualquer acção tomada pelo poder sobre o sem poder. Todo o sistema burocrático presente em O Castelo, de alguma maneira, faz-me lembrar uma religião: há um ente superior e há os seguidores, o que vier de bom vem do ente superior, do mesmo modo que o que vier de mau também é do mesmo ente. Seguir esse ente em jeito de acto de fé: fazer sem perguntar e esperar pelo julgamento que irá, mais cedo ou mais tarde, cair sobre nós. O abismo que, anteriormente referi, em analogia com uma religião encaixa perfeitamente. Há, como no Castelo, os mensageiros desse ente superior: moços de recados ( Barnabas, por exemplo), que servem de ligação entre o povo e o ser superior. Claro está que o povo nunca irá ter um contacto com o ente superior, mas sim apenas com os mensageiros. Até porque o ente superior despreza, de alguma forma, quem o respeita.

A maneira irreal de como os problemas/situações tomam diferentes interpretações nos diferentes olhos, transforma, um ambiente já perturbado, em algo que não faz qualquer sentido. Talvez das melhores críticas, encontrada no livro, é a que é feita à ostracização da “família Barnabas”. É o espelho, ou melhor, é o hiperbolizar desse reflexo de algo que acontece, mas que não faz qualquer sentido ( Kafka caracteriza, de forma indirecta, a situação de rídicula).

O livro, (in)felizmente, ainda me traz algumas dúvidas de como abordar este, ou aquele aspecto. O súbito desinteresse de Freida por K., a atitude inicial dos ajudantes e, após o seu despedimento, o seu rápido ataque a K. ( um ajudante apresenta queixa dele e o outro “rouba-lhe” Freida). A maneira de como K. manipulava as pessoas, para conseguir o que queria. A sua vontade de querer ficar naquela terra, mesmo não tendo emprego como agrimensor (talvez por um orgulho irracional). A quebra de contexto e realidade na correspondência de Klamm para K.. Uma série de dúvidas saudáveis e maneiras de interpretação surgem quando acabamos de ler O Castelo. Talvez o livro não passa de uma sátira, desde a personagem principal até quem o rodeia, ou até mesmo uma confissão, de Kafka, dos seus próprios medos. No entanto, independetemente das perspectivas com que se avalia o livro, é genial a forma como tudo isto foi conseguido. Mas Kafka já me tinha habituado a esta qualidade e a esta máxima: “um homem confuso, desesperado contra o mundo que o rodeia”.

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