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Archive for Novembro, 2008

Lost

Não, não é a série, mas bem que poderia ser. Já tinha fisgado o indivíduo há algum tempo, mas deixei-o repousar por lá. Ontem, como já estava a acabar o irmão, decidi comprar. Falo mais concretamente de “O desaparecido” de Franz Kafka. O irmão é “O Castelo”, que, já na recta final, está-me a dar grande entusiasmo. Pretendo mais tarde dar uma opinião sobre o mesmo, uma vez que, pelo que tenho procurado e encontrado, nenhuma crítica me convenceu sinceramente. Acho que o livro vais mais além do está à primeira vista. Fica agora em repouso “Contos” pelo mesmo autor que, após uma breve leitura, honestamente, não me convenceu, mas lá irei buscá-lo mais tarde. Para os interessados: Kafka Project. Reúne informação sobre o autor, manuscritos e um fórum de discussão.

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Jonas

Murmurou algo que ninguém perceberia. Estava num café bem frequentado da pequena cidade. Um grande letreiro tornava impossível não reparar nele. A esplanada estava recolhida e arrumada nos fundos, não estava tempo disso, à semelhança de todos os outros cafés daquela rua. Todavia, este, distinguia-se dos demais à sua volta. Era muito bem frequenteado, se era. Jonas frequentava-o e isso era suficiente. Um homem que se tinha notibilizado em tenra idade na escrita e isso era suficiente, para fazer de Jonas alguém conhecido na pequena cidade. Jonas escrevia contos românticos, daqueles que agradam o povo. Um homem, uma mulher, uma relação atribulada: viveram felizes para sempre, fim. Eram bonitas, meigas, irreais e felizes. O oposto da vida das pessoas que o liam, talvez por isso mesmo, eram tão apetecíveis as pílulas ficcionais de Jonas. «Sr. Jonas que deseja tomar?» «Gostaria de comer uma torrada e um café, meu bom homem» «Sim Sr, Sr.Jonas». Era bem tratado, pudera, era ele que dava àquela casa lucro. Lucro bastante avoltado em comparação aos outros cafés daquela rua que, por muito que procurasse e quisessem, nunca conseguiriam tão bom engodo. Perna cruzada e cachimbo na boca, a sua marca era inconfundível. Era proíbido fumar no estabelecimento, mas Jonas não era julgado como os comuns mortais, se dava dinheiro àquele sítio, e mesmo não exigindo nada, tinha o direito de lá dar umas cachimbadas. Regalia dada pelo filho do dono do estabelecimento que, como iria herdar aquele sítio, queria ter a certeza que, enquanto Jonas fosse vivo, lá fosse ele e a pequena multidão que lá aparecia para o observar e, consequentemente, consumir. Apesar de ser lá da terra, nunca tinha tido grande confiança com quem lá vivia, porque se tivesse, a mística à volta da sua pessoa, à medida que ia dando confiança com quem convivia, iria desaparecer, assim como um nevoeio matinal, ao dar confiança ao sol, desaparece ao meio dia. Talvez por gostar que o erguessem a estatuto de realeza e pelos direitos extra que lhe eram concedidos, talvez por isso, e, quem sabe, algo mais, Jonas, gostasse da vida que tinha. «A vida é fácil. Podemos atingir o sucesso por dois caminhos, ou pela criatividade, ou por muito trabalho. Eu não diria que o atingi pela criatividade, mas se escolhesse um dos dois, seria o primeiro. Boa publicidade e gente desesperada, é o que faz, na terra dos cegos, um homem com um olho rei.»

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Devaneios… XI

Como podemos afirmar que foi feita justiça, quando justiça é o conceito mais ambíguo, mais paradoxal e mais subjectivo que existe. Como é que podemos afirmar que a pedofilia é crime, quando em África, e noutros locais do mundo, homens feitos casam com raparigas com menos de 15 anos? Como podemos dizer o que é justiça, quando alguém rouba e nada é feito e noutros locais do mundo é lhe cortadas as mãos? Como é que pode ser feita justiça? O que é justiça? Como pudemos aplicá-la? Como é que alguém é condenado à morte após ter matado alguém? “Olho por olho, dente por dente”? Mas se aqui é assim, porque é que não roubam alguma coisa ao ladrão, em vez de o mandar para a cadeira? É impossível fazer justiça. Quer sejam ricos, quer sejam pobres. Não importa a classe social. Quando a lei, é aplicada e criada por alguém que pode ter cometido faltas maiores que o réu o que importa sermos justos, ou injustos? Já agora, quem pode determinar qual é a maior falta entre duas? Por não ser ninguém, a justiça cai em desespero. Porque não há necessidade dela existir, num mundo perfeito, apenas foi criada devido à nossa terrível e lamentável existência. Que género de ser é aquele que tem que criar algo, para condicionar as suas próprias decisões?

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Ian ( parte dois )

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Ian sentia uma invulgar vontade de sair de casa. Nos anos que sucederam a morte do filho, tentava expôr-se o menos possível. ” Só costumo sair quando é prioritário”, afirmava Ian. Nessa tarde de Outono, vestiu-se. Pôs a gravata que a mulher lhe tinha dado num Natal de há muitos anos atrás. Mesmo que Ian quisesse, e como ele queria, não se lembrava em que ano tinha sido. Era vermelha e dava um belo toque a todo o conjunto. Vestiu o seu velho sobretudo cinzento escuro. Velho somente por idade,  porque ainda possuía todo o esplendor de quando foi comprado. Ian tinha-o comprado por pura futilidade, ele tinha mais três. Mas assim que o viu, sentiu uma enorme necessidade de o comprar. “Há coisas que não têm que ter uma explicação razoável ou sensata, há poucas coisas que nos dão alegria nesta vida. Não hesitem em arriscar, quando a altura chegar”, e como lhe deu gozo comprar aquela peça. Apesar de ser um vulgar sobretudo, para outra pessoa qualquer, para Ian, era algo que ele próprio não conseguia explicar por palavras, apenas por sentimentos. A tarde estava gelada, bastante natural para aquela altura do ano. Ian, já tinha decidido para onde ir: um local que ele adorava desde garoto. Esse local, era ligeiramente afastado da casa de Ian, mas isso não era impedimento para ele. Pôs na cabeça que o andar lhe ia fazer bem à saúde, caso contrário não iria pôr-se a caminho. O local, era um pequeno parque à beira do rio. Tinha um caminho que cortava o parque em dois. No lado esquerdo do caminho, enormes carvalhos erguiam-se. Estavam lá, segundo lhe tinham contado, desde que o avó era vivo. O céu estava limpo em tons de um azul claro, não se avistavam nuvens nem se sentiam brisas. Ian, se tivesse perdido o rumo ao tempo, diria, ao olhar pela janela da sua casa, que estava no Verão. No entanto, a temperatura baixa e as folhas mortas dos carvalhos não o enganavam.  Naquele parque, Ian, por o conhecer, sabia que havia um caminho de pedra gasta, mas o manto dourado de folhas mortas, camuflavam perfeitamente o que realmente estava por debaixo dos seus pés. Via lá ao fundo um homem a juntar as folhas mortas num monte. “Se fosse pequeno atirava-me para cima delas, e só de lá me tiravam por força, por que de outra maneira de lá não saía”, nostalgiava Ian. Mesmo com a sua idade, ele sentia uma enorme vontade de se atirar para o monte de folhas mortas.  Sentou-se no “seu” sítio. Um banco antigo de tinta gasta que tinha cravado o seu nome, na parte de trás do mesmo. Lembrava-se como ele e a sua mulher passavam ali tardes inteiras a ler, a namorar, a observar, a viver. Cruzou a perna e encostou-se. Fechou os olhos. ” Cometemos erros, por que é da nossa natureza cometê-los. Passamos uma vida inteira a errar e a perdoar, a perdoar e a errar. A pedir desculpas num dia e a errar no seguinte. Porque apesar de nos sentirmos culpados e prometer que iremos melhorar, voltamos a errar e a fazer sofrer. É humano errar. O que não é humano é perdoar com sentimento. O que não é da nossa natureza é fazer um esforço para não repetir o que fizemos. Errar é natural, o que é ainda mais natural e voltar a fazer o mesmo erro. Consegui aperceber-me disto, antes de ficar sozinho. Desculpa-me.”

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Pensamento do dia (2)

Aceita sempre a opinião de alguém sem pensar, mas pensa sempre antes de a aceitares como tua.

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Zeitgeist, the Movie ( again )

Por aviso do Gil, fica aqui o original Zeitgeist:

São duas horas, aconselho pipocas para acompanhar.

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Então vocês passam o dia a publicitar a adição de fotos e a entrevista ( completa ) no site da RFM, no entanto ainda não vi nada. Gostaria imenso de o ouvir dizer:

Everybody i meet is nice to me, and i like that.

A entoação que dá à frase é de “morte”.  

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